Aumento do preço da energia elétrica preocupa setor de produção de leite

A elevação do preço da energia elétrica, em decorrência da crise hídrica, preocupa o setor de produção de leite, que já vem sendo impactado pela alta dos custos dos insumos necessários à atividade. Por conta disso, o risco de desabastecimento do produto no Brasil segue em evidência, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges.

Em entrevista ontem ao CB.Agro, programa realizado em parceria do Correio com a TV Brasília, Borges disse que os preços da proteína bovina cresceram de forma desacompanhada do preço do leite, seja para o produtor, seja para o consumidor. Isso se deve às matérias primas para rações animais, insumos veterinários e outros produtos, que seguem em alta generalizada.

“Isso nos preocupa, porque muitos produtores e algumas cooperativas de laticínios, principalmente os menores, passam por dificuldades nesse momento. Nós temos que ter um equilíbrio, e esse equilíbrio não está sendo observado. Muitos não conseguem fechar as contas, ou seja, às vezes trabalham no vermelho ou trabalham empatando, o que dificulta o setor”, comentou o presidente da Abraleite.

Segundo Geraldo Borges, a crise hídrica e o encarecimento da energia causam impactos na vida do produtor, que depende da eletricidade, por exemplo, para movimentar bombas d’água e equipamentos de ordenha mecânica. Segundo ele, caso o preço dos insumos siga em alta, muitos pequenos e médios produtores se verão obrigados a reduzir o alimento oferecido aos animais, o que, consequentemente, pode gerar menor produção de leite.

“Nós temos 1 milhão e 171 mil propriedades e quase 1 milhão delas são de pequenos e médios produtores. Esses, com certeza, são os que mais sofrem”, comentou Borges. “Os brasileiros devem valorizar o que é nosso. Temos produtos com qualidade e segurança. Só no campo são 5 milhões de famílias que produzem consumíveis de extrema qualidade, e com responsabilidade. Isso poderá ajudar a passar por essa crise”, disse.

Borges afirmou ainda que, durante a pandemia, a distribuição de laticínios não sofreu muitas dificuldades como em outros setores. Borges também frisou que a Abraleite trabalha por todos os produtores brasileiros, sejam pequenos, médios ou grandes, e de todas as unidades da Federação.

 

 

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Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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