Custo da Construção na Paraíba subiu quase 40% nos últimos 2 anos

O custo médio do metro quadrado na construção civil da Paraíba ficou quase 40% mais caro nos últimos dois anos. De acordo com os dados do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) de março de 2020 até abril de 2022, o valor do metro quadrado da construção de um imóvel padrão subiu 37,36% no estado, saindo de R$ 1110,86 para R$ 1.529,15, acima da média nacional que variou 34,09%. No mesmo período, a inflação acumulada do país, medida pelo o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 19,42%.

O índice Sinapi que é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) possui dois componentes: mão de obra e materiais. Os gastos com terrenos, projetos e licenças, entre outros, não entram na conta.

O custo de mão de obra na Paraíba subiu 25,95% nos últimos dois anos, 6 pontos percentuais acima da inflação oficial do período. Entretanto, a despesa com materiais desde março de 2020 disparou 46,82%, mais que o dobro da inflação registrada no mesmo intervalo de tempo.

De acordo com o economista do Sinduscon-JP, Werton Oliveira, responsável pelo estudo, o resultado mostra claramente a pressão de custos que a indústria da construção vem experimentando ao longo dos últimos dois anos. “Os dados refletem os desequilíbrios nos preços dos insumos verificados desde o início da pandemia até o momento. Se analisarmos o peso de cada variável na composição da obra, é possível observar que cerca de 60% dos custos de produção é constituído pelos materiais” (Ver Gráfico).

Para o Presidente do Sinduscon-JP, Wagner Breckenfeld, os dados demonstram o aperto que as empresas estão passando com os sucessivos aumentos nos custos da construção em todo o Estado. “Essa elevação de quase 40% no preço dos insumos nos últimos dois anos é preocupante para o setor, pois não são apenas os imóveis de alto padrão que sofrem variações nos preços, mas, sobretudo, as moradias populares”.

O presidente ainda ressalta sua expectativa com relação ao cenário econômico ao longo do ano. “Apesar de verificarmos uma resiliência considerável na economia brasileira, com a melhora nos níveis de atividade e emprego, outros agravantes como juros altos e a Guerra da Ucrânia, podem tornar o ambiente de negócios desafiador para as construtoras. De toda forma, acredito que o pior já passou. O aperto monetário conduzido pelo Banco Central ao longo dos últimos meses deve surtir efeito no segundo semestre desse ano, provocando uma acomodação nos preços e, consequentemente, uma melhora nos índices de inflação e custos”.

 

 

Wscom

Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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