Mortes por Covid em julho de 2021 superam as de julho de 2020, pior mês do ano passado

O Brasil registrou, do dia 1º de julho até esta terça-feira (27), 33.660 mortes pela Covid-19, segundo dados apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país.

Mesmo com queda em relação aos últimos meses, o número já é maior do que o de julho de 2020 – pior mês da pandemia no ano passado –, que teve 32.912 mortes

  • O número de mortes visto neste mês é, até agora – considerando apenas os dados parciais –, 39% menor do que o de mortes em junho.
  • Considerando a comparação com abril, a queda nas mortes é, até agora – de novo com levantamento parcial – de 59%. Abril foi o pior mês da pandemia no Brasil.

Especialistas fazem alerta

Para a epidemiologista Lucia Pellanda, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a queda nas mortes é um efeito positivo da vacinação – como outros especialistas já haviam apontado no início do mês – mas a reabertura e a retomada de atividades ainda estão sendo feitas antes da hora.

“Essa parece uma lição muito explícita que o vírus quer nos ensinar e a gente se recusa a aprender – a gente sempre flexibiliza antes da hora. Tanto no Brasil quanto globalmente. O grande risco é que, quando começa a melhorar, a gente começa a liberar tudo antes da hora. Todas as vezes aconteceu isso: cada descenso de pico a gente liberou antes da hora e acabou ficando num patamar alto”, alerta.

“A gente precisa de vacinação mais os cuidados – que é distanciamento, máscara, ventilação. Como isso foi muito flexibilizado, a gente está com uma transmissão muito descontrolada. Qual o risco? Surgimento de novas variantes“, alerta Pellanda. “Vacina é uma coisa maravilhosa, mas a gente precisa de vacina e comportamento, cuidados, e cuidados coletivos”.

A opinião de Pellanda é compartilhada pela também epidemiologista Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

“A gente na verdade tá cometendo o mesmo erro: lembra que, nesse período do ano passado, os governos estaduais acharam que a pandemia estava controlada – que inclusive a gente já tinha imunidade de rebanho? Que o pior já tinha passado?”, recorda Maciel.

A epidemiologista explica que, em relação a 2020, o único fator novo que o Brasil tem no combate à pandemia é a vacina. Outras estratégias, entretanto – como testar e fazer a vigilância genômica do vírus, para monitorar o surgimento de novas variantes – não têm sido adotadas.

“A única coisa diferente que foi acrescentada nessa estratégia foi a vacinação. Só que a gente tem, efetivamente, menos de 20% de pessoas vacinadas com o esquema completo. E a gente já sabe que essa variante delta tem um impacto nas pessoas que tomaram uma dose só. Então, vamos colocar nossa realidade: a gente tem mais de 80% das pessoas sem vacina ou com uma vacinação muito parcial”, lembra.

Ela critica o fato de taxas de ocupação de leitos de UTI estarem sendo usados para medir a situação da pandemia – como os índices estão baixos, há a crença de que há “mais espaço para as pessoas adoecerem”.

Com a reabertura neste momento, entretanto, há o risco de surgimento de novas variantes, aponta Maciel – e de mais casos, internações e óbitos.

 

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Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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