Trabalhadores da educação na Paraíba são contra retorno das aulas presenciais e alertam que não voltam sem vacina

Em entrevista ao ClickPB, na tarde desta quarta-feira (27), a diretora do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Educação da Paraíba (Sintep-PB), Leônia Gomes, disse que as tentativas para impedir a retomada das aulas presenciais já estão sendo articuladas. Para ela, não há possibilidade de o ensino desconsiderar o aumento no índice de contaminação diante as mais de quatro mil mortes que o estado já registrou. “Estamos na luta para impedir que as aulas presenciais retornem. Estamos unificando a mobilização com diversas entidades para que as aulas só retornem após a vacinação do setor da educação”, explicou.

“Se o índice de contaminação das crianças é um dos mais altos, de acordo com o inquérito sorológico feito pela Secretaria de Saúde, imagine quando as aulas presenciais forem efetivadas. A tendência é aumentar ainda mais o ciclo de contaminação, uma vez que mesmo assintomáticas, a contaminação entre os familiares pode ser ainda maior. Então não há como retomar aulas presenciais, sem a vacinação”, destacou.

A sindicalista ainda revelou que diversas reuniões e plenárias estão sendo realizadas para mobilizar a categoria. “No dia 5 de fevereiro, haverá uma reunião online para mobilizar toda a rede da educação pública em prol dessa luta”, disse.

A entidade também publicou uma nota pública manifestando a decisão. Confira a seguir:

NOTA PÚBLICA

Sem vacina, profissionais da educação da Paraíba não voltarão às atividades presenciais.

Circula em alguns meios de comunicação declarações do governador João Azevedo sobre a possibilidade de retorno às atividades presenciais nas escolas da Paraíba a partir de março. Esta informação se contradiz com o que foi feito pelo Governo do Estado até então, de cautela e proteção à vida dos paraibanos e paraibanas.

No último dia 12, foi divulgado o resultado do inquérito sorológico “Continuar Cuidando” pela Secretaria de Saúde do Estado. De acordo com informações da própria Secretaria, a faixa etária das pessoas mais afetadas na Paraíba está entre 0 a 11 anos e entre 50 a 60 anos de idade. Nas palavras do secretário executivo de Saúde, Daniel Beltrammi:

“Aqui fica o questionamento do que poderia ter acontecido com essa prevalência se as creches, escolas e instituições de ensino no geral não tivessem suas atividades presenciais suspensas. A gente teria construído algo em torno de 30% de prevalência média”1

Agora que temos a possibilidade real da vacina, não vamos arriscar nossas vidas nem a dos milhões de paraibanos com aventuras desnecessárias. O que mudou na situação da pandemia no Estado para justificar tais declarações do Governo? Na verdade, nem as próprias diretrizes apresentadas para o enfrentamento da pandemia na educação estão sendo cumpridas.

O Comitê Interinstitucional e Intersetorial de Acompanhamento Estadual (CIIAE), criado desde setembro de 2020 para monitorar tais diretrizes, nunca se reuniu por falta de convocação da Secretaria de Educação. Foram inúmeras as cobranças por parte do SINTEP-PB para reunir o Comitê, mas sem êxito. Desta maneira, nenhum Comitê Escolar de Crise (CEC) foi estabelecido.

 

 

Click PB

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Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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