UFCG, entidades estudantis e ALPB repudiam professor universitário por comentário ‘machista’ e ‘misógino’ nas redes sociais; veja a repercussão

A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), entidades representativas dos estudantes e até a Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), da através da Comissão de Direitos da Mulher e da Comissão Parlamentar de Inquérito do Feminicídio (CPI do Feminicídio), divulgaram notas de repúdio contra comentário, publicado nas redes sociais, considerado machista, misógino e desrespeitosa contra as mulheres. O autor é professor do departamento de engenharia elétrica da (UFCG).

Em comentário postado em uma rede social, o professor escreve palavras pesadas com palavras de baixo calão em postagem de outra pessoa. “Quem vai fazer os trabalhos mais pesados, perigosos e insalubres? Homi ou muié? Quem vai construir pontes, arranha-céus, estradas, represas, cultivar plantações, explorar minas subterrânas, poços de petróleo, o carai, cacete? Ai ficam essas quengas latindo e reclamando o tempo todo. Então vai, porra! Assume essa merda aí. Sustenta a casa, porra!!! Eu fico cuidando dos menino em casa, fazendo a comida e te esperando de pomba dura [sic] á noite. Topas?”, escreveu.

REITORIA DA UFCG

A UFCG divulgou nota de repúdio assinada pelo  reitor Vicemário Simões; pelo diretor do Centro de Engenharia Elétrica e Informática, Jorge César Abrantes de Figueiredo, e pelo coordenador Administrativo da Unidade Acadêmica de Engenharia Elétrica.

Leia na íntegra:

“A Universidade Federal de Campina Grande é plural em todos os sentidos e, por isso mesmo, convive com as mais variadas posturas políticas, ideológicas, culturais e religiosas, esperando de toda a sua comunidade acadêmica uma harmoniosa convivência democrática em que as diferenças são respeitadas.

O respeito às diferenças não dá lugar a nenhuma forma de manifestação racista, sexista ou alguma forma outra de apontamento preconceituoso contra qualquer coletivo.

Desta forma, a Reitoria da Universidade Federal de Campina Grande vem a público, manifestar o seu repúdio a qualquer expressão de preconceito e de ataque aos inegociáveis princípios dos direitos humanos, notadamente àquelas recentes manifestações, registradas em rede social, por docente da Instituição, que se mostrou desrespeitoso na convivência com as diferenças.

A Reitoria, zelando os princípios e valores que embasam a Universidade Federal de Campina Grande, não apenas repudia o ato desrespeitoso como também manifesta solidariedade às pessoas e aos coletivos que foram desrespeitados pelas mencionadas manifestações.

E por entender que, mesmo no âmbito da vida privada, a liberdade de expressão não pode ferir a dignidade alheia, e considerando a legislação a que está submetido qualquer servidor público, uma comissão de sindicância foi tempestivamente constituída, para apurar o caso, que será matéria de análise também pela Comissão de Ética da Universidade Federal de Campina Grande”.

ENTIDADES ESTUDANTIS

Em Carta de Repúdio o Grupo de Afinidade IEEE WIE UFCG, o Centro Acadêmico de Engenharia Elétrica e o PET Engenharia Elétrica da UFCG, entre outras entidades representativas repudiaram a atitude de um professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFCG, que, em uma rede social, fez uma declaração machista, misógina e totalmente desrespeitosa, utilizando palavras de baixo calão.

“Este tipo de atitude é inaceitável vindo de qualquer pessoa, mas especialmente de um professor de um curso de engenharia, que é referência no país e um orgulho para a Paraíba, e que há mais de 40 anos forma engenheiras, MULHERES, que hoje são profissionais de renome nos mais diferentes segmentos e empresas do país e do mundo”, diz trecho da carta.

Confira mais detalhes:

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

A Assembleia Legislativa da Paraíba, através da Comissão de Direitos da Mulher e da Comissão Parlamentar de Inquérito do Feminicídio – CPI do Feminicídio, também repudiou o comentário misógino publicizado na rede social pelo professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFCG.

“A luta pela emancipação da mulher é, hoje, objeto de discussão, estudos e ações em diversos espaços, inclusive nas universidades públicas, visando a mudança social e eliminação de todas as formas de opressão. Todavia, a manifestação do professor é reveladora ao destacar a ignorância sobre a questão de gênero.

É mister destacar que este apedeutismo, associado a uma cultura patriarcal, reproduz a misoginia em todos os setores da sociedade, independente do grau de escolaridade, renda ou idade.

O comentário repudiado revela, além do obscurantismo histórico e político forjado pelo patriarcado, a objetificação da mulher e a violência preponderante nas mentes dos que ainda não conseguiram se emancipar, nem minimamente, do machismo.

Ademais, desconsidera o trabalho como um fazer coletivo, na atividade doméstica e não doméstica, remunerada e não remunerada.

Com a luta feminista, a divisão social do trabalho vem passando por transformações significativas.

Hoje estamos presentes nas mais diversas áreas, ocupando cargos de chefia, de liderança política, entre outros, seja a labuta intelectual ou braçal.

Nós, como representantes no Legislativo Estadual da batalha pela eliminação de qualquer forma de discriminação contra a mulher, expressamos nossa total indignação e repressão à esta publicação.

As palavras impertinentes, misóginas e vergonhosas proferidas pelo professor são de profunda desconsideração à dignidade das mulheres, ecoando um discurso que permite, sanciona e incentiva a violência doméstica, o feminicídio e todas as formas de abuso, psicológico ou físico, que insistem em diminuir a nossa existência e a nossa moral.

Deputada Cida Ramos e deputada Camila Toscano”.

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Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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