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Febre ente os jovens, vape vicia mais que o cigarro convencional

Febre ente os jovens, vape vicia mais que o cigarro convencional

O cigarro eletrônico, conhecido como “vape”, se tornou uma febre entre os jovens brasileiros, apesar de nunca ter tido a comercialização permitida no Brasil. Criado como uma alternativa para quem desejava abandonar o tabagismo tradicional, o dispositivo hoje é apontado como o principal responsável pelo aumento de novos tabagistas no país, principalmente entre os jovens. O marketing agressivo e a falsa percepção de segurança escondem um produto que pode causar doenças respiratórias irreversíveis.

A origem e a estratégia da indústria

A invenção do cigarro eletrônico remete a um período anterior aos anos 2000, mas ganhou força em 2003, quando o inventor chinês Hon Lik buscou uma alternativa ao cigarro convencional após seu pai falecer de câncer no pulmão por conta do tabagismo. O intuito inicial era criar um dispositivo com menos nicotina. Por mais que a empresa original não tenha prosperado, a indústria do tabaco adquiriu a ideia para evitar perdas financeiras diante da queda do consumo de cigarros tradicionais.

Entre 2007 e 2009, o produto se popularizou globalmente. A estratégia de venda focou em elementos atrativos para o público jovem: cheiro agradável, visual moderno e a propaganda enganosa de que a fumaça seria apenas vapor de água. Esse cenário, aliado à velocidade de compartilhamento de informações na internet, transformou o cigarro eletrônico em um símbolo de status e modernidade para os jovens.

“O cheiro bom, a propaganda que seria uma alternativa mais saudável que o cigarro, a propaganda que a fumaça seria vapor de água enganou os jovens e fez o produto se tornar uma febre”, diz Maria Enedina Scuarcialupi, coordenadora da Comissão de Tabagismo da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia).

Riscos imediatos à saúde

Enquanto em usuários de cigarros tradicionais as doenças costumam aparecer após décadas de uso, nos usuários de cigarros eletrônicos funciona de forma mais rápida. Há relatos de danos graves em apenas três meses de utilização e até mesmo em quem usa uma única vez. O dispositivo atinge diretamente os alvéolos pulmonares, a parte funcional do órgão, e lança substâncias tóxicas diretamente na corrente sanguínea.

“Jovens levam mais tempo a adoecer, mas usando em uma festa por exemplo, você já pode ter uma doença respiratória permanente”, explica a Dra. Maria.

A composição desses aparelhos é altamente perigosa. Além de baterias de lítio, os usuários inalam substâncias cancerígenas, anfetaminas e, em alguns casos, derivados de THC. Essas substâncias comprometem os vasos sanguíneos e podem causar bronquiolite e o surgimento de nódulos no pulmão que se assemelham a “pipocas”.

O perigo da nicotina sintética

Um dos maiores riscos está na concentração de nicotina. O produto utiliza sais de nicotina sintética, produzidos em laboratório, que penetram no organismo com maior rapidez e eficácia.

“Um cigarro tem cerca de 20 miligramas de nicotina por maço, por lei. O cigarro eletrônico não tem um limite”, explica a doutora.

O vício gerado pelo vape é considerado mais difícil de combater devido aos aspectos químico e comportamental. Como o dispositivo não precisa ser aceso, ele está “na mão a todo momento”, levando o usuário a consumir a substância de forma mais prática que um cigarro tradicional.

“O vape está na mão toda hora, então acorda a noite pra usar, dirigindo usa, quem fuma cigarro fuma em uma quantidade menor, precisa acender”, diz a especialista.

Sintomas

Os sintomas de quem utiliza o produto incluem tosse, alteração na voz, dor de cabeça e insônia. Para especialistas, o discurso de que o vape não faz mal é puro marketing para garantir o lucro da indústria tabagista, uma vez que muitos usuários acabam mantendo o vício duplo ou retornando ao cigarro tradicional após tentativas frustradas de substituição.

“São parecidos com o do cigarro normal, primeiro a tosse, mudança de voz, dor de cabeça, insônia, mas aparecem de forma mais rápida no usuário de cigarro eletrônico”, completou.


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Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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