Ataque dos EUA ao Irã eleva tensão nos mercados e acende alerta para petróleo e energia
O ataque em larga escala ordenado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã reacendeu temores sobre a oferta global de energia e já leva analistas a projetarem uma segunda-feira de forte volatilidade nos mercados internacionais.
O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris de petróleo por dia e controla um dos lados do Estreito de Ormuz, rota por onde passa aproximadamente 20% do consumo diário mundial de petróleo e quase um terço de todo o volume transportado por via marítima. Qualquer interrupção nesse corredor é vista como um risco imediato para os preços da energia.
Gestores ouvidos por instituições financeiras como Natixis, JPMorgan, RB Investimentos e UOB Kay Hian esperam uma abertura marcada por aversão ao risco. As projeções indicam quedas entre 1% e 2% nas bolsas globais, alta do petróleo entre 5% e 10%, valorização de moedas consideradas porto seguro, como dólar, iene e franco suíço e recuo dos juros longos dos títulos do Tesouro americano.
No Brasil, a atenção dos investidores se volta para as ações de empresas do setor de energia, como Petrobras, PRIO e PetroRecôncavo, que já vinham se beneficiando da recente alta do Brent, atualmente em torno de US$ 72 o barril.
Analistas ponderam, contudo, que no médio prazo o cenário pode se inverter. Caso haja uma mudança política em Teerã e maior alinhamento com o Ocidente, a produção iraniana poderia superar 4 milhões de barris por dia, abrindo espaço para um petróleo mais barato em 2026 e gerando um efeito desinflacionário global.
Até lá, países emergentes mais dependentes de energia permanecem expostos a um choque de preços, enquanto o mercado testa os limites da escalada militar no Oriente Médio antes de uma nova reprecificação dos riscos globais.
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