A CPI do Crime Organizado entra em sua reta final com a previsão de realizar a última sessão de depoimentos nesta terça-feira (15). O foco dos parlamentares está na oitiva do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, considerada indispensável para concluir as investigações sobre a estrutura das organizações criminosas que atuam no estado.
A análise técnica da comissão aponta que o Rio de Janeiro apresenta as dinâmicas mais sofisticadas de criminalidade no país, caracterizadas pela atuação conjunta de facções e milícias. O relatório parcial destaca a consolidação da chamada “narcomilícia”, modelo em que grupos criminosos exercem controle territorial rígido e exploram economicamente serviços essenciais à população, como o fornecimento de gás, internet e transporte alternativo.
Relatório final e propostas de indiciamento
Após o depoimento de Castro, o cronograma da CPI prevê a leitura e a votação imediata do relatório final. O documento deve consolidar meses de apuração e propor o indiciamento de diversos investigados por envolvimento com o crime organizado e lavagem de dinheiro. Além das punições individuais, a comissão pretende apresentar sugestões de mudanças na legislação federal para conferir maior rigor no enfrentamento a essas organizações.
O encerramento dos trabalhos ocorre em meio a movimentações políticas no Congresso. Houve uma tentativa por parte de membros da comissão de prorrogar o prazo das investigações para aprofundar a coleta de provas, mas o pedido não foi atendido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Com a negativa, os parlamentares correm para finalizar a redação do texto que servirá de base para futuras ações do Ministério Público.
Próximos passos e cooperação institucional
A expectativa é que o relatório final, uma vez aprovado, seja encaminhado às autoridades competentes para que as investigações criminais tenham continuidade no âmbito do Judiciário. Os membros da CPI defendem que o fortalecimento da lei é o caminho para desarticular o poder econômico das facções, que hoje desafiam a autoridade do Estado em diversas regiões do país.
A presença de Cláudio Castro na próxima terça-feira é aguardada com cautela, pois o ex-governador deve ser questionado sobre as políticas de segurança pública implementadas durante sua gestão e sobre a suposta infiltração de agentes públicos em estruturas milicianas.


