O número de brasileiros que vivem em imóveis alugados atingiu o maior patamar da série histórica, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do IBGE. Em 2025, o Brasil ultrapassou a marca de 79 milhões de domicílios, dos quais 18,9 milhões são moradias alugadas.
O crescimento da modalidade foi de 54,1% entre os anos de 2016 e 2025. O índice supera significativamente o aumento registrado em outras formas de ocupação, como os imóveis próprios que ainda possuem parcelas a vencer, que cresceram 31%, e os imóveis já quitados, com alta de apenas 7,3%.
Os dados revelam uma mudança no perfil de moradia do brasileiro. Atualmente, quase um em cada quatro lares no país depende do pagamento mensal de aluguel. A dificuldade em acessar o financiamento imobiliário e o encarecimento do crédito são apontados como os principais motivos para esse cenário.
Barreiras para o financiamento imobiliário
A conjuntura econômica atual impõe obstáculos para quem deseja sair do aluguel. Segundo a reportagem de Olívia Freitas, os juros altos encarecem as prestações e exigem que as famílias tenham uma renda mensal muito superior ao valor da parcela para obter aprovação bancária.
Marcelo Menezes avalia que o cenário atual exige que o interessado comprove ganhos três vezes maiores que o valor da mensalidade do financiamento. Com as taxas elevadas, o valor final da prestação sobe, obrigando o comprador a reunir uma quantia maior para a entrada.
Além do custo do crédito, o endividamento da população e a rápida valorização dos imóveis contribuem para manter o sonho da casa própria distante. Enquanto as famílias tentam poupar para o pagamento inicial, o preço de mercado dos imóveis costuma subir em ritmo acelerado, neutralizando o esforço de poupança.
Concentração de renda e mercado de investimentos
A análise do IBGE sugere que o aumento da locação também pode indicar uma maior concentração de renda no Brasil. Muitos dos apartamentos disponíveis para locação pertencem a investidores que não utilizam o espaço como moradia, mas sim como uma fonte de rentabilidade mensal.
Para o setor da construção civil, esse comportamento consolidou um público-alvo específico: o investidor. O foco de muitas incorporadoras tem sido unidades que atendam a quem busca renda passiva por meio do aluguel, aproveitando a alta demanda de quem não consegue financiar.
Célia Regina Sousa exemplifica a realidade de milhões de brasileiros. Consultora de imagem, ela optou por um apartamento de 20 metros quadrados para morar mais perto do trabalho, mas admite que os juros altos tornam o financiamento inviável no momento.
A pressão da demanda sobre a oferta tem impacto direto nos preços. Em grandes centros urbanos, como São Paulo, a procura elevada faz com que os valores das locações subam, forçando moradores a escolher entre a qualidade de vida e o preço do metro quadrado.


