Os presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donaldo Trump realizarão nesta quinta-feira (7) uma reunião na Casa Branca em uma tentativa de aproximação após uma série de atritos. Essa é a segunda vez que os líderes do Brasil e dos Estados Unidos se encontram de forma presencial.
Lula chegou à Washington, capital americana, na noite desta quinta-feira em uma comitiva com cinco ministro e com o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O A reunião acontecerá no Salão Oval, a partir das 12h, e deve ser seguido de uma coletiva de imprensa com os dois.
A avaliação no Palácio do Planalto é de que esse momento público pode ser importante para marcar politicamente o encontro e dar o tom das negociações bilaterais. Há, no entanto, um receio sobre os impactos das falas dos chefes de estado.
A tendência é que a reunião siga em boa parte de forma mais restrita entre os integrantes das duas delegações. A visita de Lula, segundo a Casa Branca, será para uma reunião de trabalho, o que diminui a formalidade do encontro, mas amplia a possibilidade de negociações entre os países.
Histórico turbulento
As relações entre Lula e Trump passou por momentos turbulentos desde que o presidente americano tomou posse como presidente, em janeiro de 2025. Os problemas incluíram o tarifaço americano, o apoio do republicado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e até a expulsão de um delegado da Polícia Federal dos EUA.
Em julho do ano passado, Trump anunciou taxa de 50% “sobre todas as exportações brasileiras enviadas para os EUA”, provocando tensões comerciais entre os dois países. Na ocasião, o presidente americano citou práticas comerciais desleais” do Brasil e criticou o julgamento de Bolsonaro no STF.
Antes disso, Trump já tinha afirmado que o Brasil estava “agindo de forma terrível no tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Eu observei, assim como o mundo, como eles não fizeram nada além de persegui-lo, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano”.
As atitudes do americano fizeram Lula subir o tom, dizendo que a democracia no Brasil é um assunto apenas do povo brasileiro e que o país não aceitará “interferência ou tutela de quem quer que seja”. “Somos um país soberano. Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja.”
Na época, Lula e Trump se encontraram presencialmente na Malásia para discutir, principalmente, questões comerciais. Na reunião, que durou cerca de 50 minutos, Lula disse que “não há motivo para conflito”. Já Trump afirmou: “Acho que chegaremos a uma conclusão com o Brasil bem rapidamente”.
Mais recentemente, foi a expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho dos EUA que voltou a estremecer as relações dos dois países. A administração Trump afirmou na ocasião que ele tentou “manipular o sistema de imigração” com a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos EUA.
“Nenhum estrangeiro pode manipular o sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território americano”, afirmou o setor responsável se referindo à prisão de Ramagem, que é considerado foragido da Justiça brasileira, pela polícia de imigração.
Pontos de discussão
Um dos temas prioritários será a segurança pública. Os Estados Unidos têm defendido a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, proposta que enfrenta resistência do governo brasileiro. O Planalto avalia que o enquadramento jurídico não é adequado dentro da legislação brasileira.
Apesar da divergência, o governo Lula pretende avançar na cooperação com os Estados Unidos para combater o tráfico internacional de drogas, o contrabando de armas e a atuação de facções criminosas com impacto nos dois países. A expectativa da comitiva é sair da reunião com algum acordo fechado ou ao menos com negociações avançadas nessa área.
Outro eixo estratégico será o debate sobre minerais críticos e terras raras. O governo brasileiro quer chegar aos Estados Unidos com a regulamentação do setor aprovada pela Câmara dos Deputados. O texto foi aprovado de forma simbólica na Câmara, nesta quarta-feira (6), e é tratado pelo Planalto como um ativo relevante na negociação com Washington.
As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos também estarão na pauta. O governo pretende discutir investimentos e ampliar negócios bilaterais, além de defender o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central e alvo de questionamentos de setores americanos que alegam impactos sobre empresas dos Estados Unidos.


