Ricardo Coutinho chama privatização da Cagepa de ‘covardia’
Em entrevista concedida ao programa Frente a Frente, nesta segunda-feira (6), apresentado por Bruno Pereira, o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho, hoje pré-candidato a uma vaga na Câmara Federal pelo PT nas Eleições 2026, classificou como uma “espécie de covardia” a privatização dos serviços de saneamento básico prestados pela Cagepa. Para o ex-governador, o modelo adotado transferiu a arrecadação do serviço à iniciativa privada sem repassar os custos operacionais que permanecem com a empresa pública, o que, na avaliação dele, inviabiliza a lógica do negócio.
Foi uma espécie de covardia você privatizar o serviço e deixar a empresa com os mesmos gastos de pessoal, de custeio, tudo está lá. E, ao mesmo tempo, a arrecadação do serviço vai passar para uma empresa privada, afirmou.
Coutinho citou que a companhia privada passaria a receber entre R$ 35 milhões e R$ 40 milhões por mês para investir cerca de R$ 10 milhões, recursos subsidiados pelo BNDES, em obras de ampliação do sistema de esgotamento sanitário. “É a cor de pai para filho. Essa conta não fecha“, resumiu.
Para o ex-governador, água e saneamento não podem obedecer a uma lógica de lucro. “Você não pode diferenciar as coisas a partir de uma perspectiva de ter um lucro maior ou menor. Você precisa garantir água e saneamento de qualidade para toda a população, independentemente se você mora no Grotão ou no Bessa, no Aratu ou em Mangabeira”, disse, citando ainda cidades onde o serviço é deficitário, como Coxixola. Ele lembrou os casos de Berlim e Paris, que privatizaram e depois voltaram atrás, para defender que esse tipo de serviço “deve ser público”.
Ricardo dispara: “O ICMS aumentou excessivamente na gestão de João Azevêdo. Não foi na minha”
Se a Cagepa foi o alvo mais duro da entrevista, a crítica à política tributária do sucessor não ficou atrás. Questionado sobre reclamações do empresariado quanto ao aumento da carga tributária estadual, Coutinho foi direto ao apontar quem, na sua avaliação, promoveu a elevação mais expressiva: “Os principais aumentos foram principalmente do ICMS sobre combustíveis. O ICMS aumentou excessivamente na gestão de João Azevêdo. Não foi a minha”, declarou, citando que a alíquota teria saído de 18% para 25% — “um aumento quase de 40%” — sob a atual gestão.
O ex-governador fez questão de diferenciar sua própria gestão: “Na minha gestão, não. Eu reduzi os impostos da microempresa. Eu facilitei políticas públicas como a da cana e do açúcar.” A declaração ganha peso no momento em que João Azevêdo, que renunciou ao governo do Estado em 2 de abril para se dedicar à pré-campanha ao Senado, tenta consolidar seu legado administrativo como capital político para a disputa nacional.
Coutinho foi além e classificou o atual momento político do Palácio da Redenção, hoje sob o comando de Lucas Ribeiro, como reflexo de um projeto sem rumo definido: “É um governo de 4 de outubro. Não é um governo que tem um planejamento, tem um projeto, pretende fazer tal coisa no campo do desenvolvimento industrial. Não tem isso”, afirmou, referindo-se ao calendário eleitoral como o verdadeiro norte da gestão.
“Zeraria a Zona Azul”: crítica também à Prefeitura de João Pessoa
A régua crítica do ex-governador não parou no Executivo estadual. Sobre o modelo de estacionamento rotativo pago adotado pela Prefeitura de João Pessoa, Coutinho defendeu o fim do sistema tal como está estruturado hoje. “Eu particularmente zeraria a Zona Azul”, disse, argumentando que o instrumento deveria servir para regular a rotatividade comercial e não para arrecadar. Na avaliação dele, a medida “acabou de matar o centro da cidade” e prejudicou o lazer popular nas praias.
O ex-governador defendeu ainda que, caso mantida, toda a arrecadação da Zona Azul fosse destinada ao sistema público de transporte, incluindo, no horizonte, um futuro sistema sobre trilhos para a capital paraibana. “João Pessoa não aguenta mais, está claro isso”, afirmou.
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