José Sarney é internado com pneumonia aos 96 anos: o que se sabe sobre a saúde do ex-presidente
O ex-presidente José Sarney, de 96 anos, está internado no UDI Hospital, em São Luís, no Maranhão, para tratamento de uma pneumonia. Ele deu entrada na unidade no domingo (13) e, de acordo com as informações divulgadas pelo hospital, apresenta evolução clínica favorável, pressão arterial controlada e respira em ar ambiente, sem necessidade de oxigênio suplementar. Ainda não há previsão de alta.
Sarney está recebendo antimicrobianos por via intravenosa e permanece sob acompanhamento médico. Embora as notícias sobre sua evolução sejam positivas, a idade avançada é um fator que exige atenção adicional diante de infecções respiratórias.
Para o pneumologista Dr. Marcelo Ceneviva Macchione, a pneumonia em idosos pode apresentar características diferentes das observadas em pacientes mais jovens.
“Em idosos, nem sempre encontramos aquele quadro clássico de febre alta, tosse intensa e falta de ar evidente. Algumas vezes, os primeiros sinais são prostração, redução do apetite, sonolência, confusão mental ou uma piora do estado geral. Por isso, mudanças importantes na condição clínica de uma pessoa idosa precisam ser valorizadas”, explica.
A geriatra Dra. Priscila Guerra ressalta que, em pacientes muito idosos, o organismo possui menor reserva para enfrentar situações agudas. Isso faz com que uma infecção aparentemente localizada possa repercutir também sobre mobilidade, cognição e autonomia.
“Quando falamos de uma pessoa com mais de 90 anos, não olhamos apenas para a pneumonia. Observamos como aquele organismo está respondendo como um todo. Uma internação pode provocar perda de força, redução da mobilidade, alterações do sono, do apetite e até episódios de confusão. Na geriatria, tão importante quanto controlar a infecção é preservar a funcionalidade e evitar que o período hospitalar resulte em uma perda de autonomia”, explica Priscila.
Pneumonia depois dos 90 anos exige cuidados diferentes?
O envelhecimento está associado a mudanças no sistema imunológico e a uma menor capacidade de recuperação diante de determinados eventos agudos. Além disso, a presença de doenças cardiovasculares, pulmonares, metabólicas ou outras condições pode interferir na evolução de cada paciente.
Segundo Dr. Marcelo, o fato de Sarney estar respirando sem suplementação de oxigênio é uma informação clínica relevante, mas não permite, isoladamente, determinar a gravidade ou prever quando ocorrerá a alta.
“Em uma pneumonia, avaliamos oxigenação, frequência respiratória, pressão arterial, estado de consciência, alimentação, hidratação, exames laboratoriais e de imagem e, principalmente, a resposta ao tratamento. Em um paciente de 96 anos, esse acompanhamento precisa ser ainda mais criterioso”, afirma o pneumologista.
Priscila chama atenção ainda para um sinal que muitas famílias não relacionam imediatamente a uma infecção: a mudança súbita de comportamento.
“Confusão mental que aparece de forma aguda em um idoso não deve ser tratada simplesmente como consequência da idade. Infecções, alterações metabólicas, desidratação e medicamentos, entre outras condições, podem desencadear delirium. Às vezes, é justamente uma alteração de comportamento que leva a família a perceber que alguma coisa está errada”, alerta a geriatra.
Recuperação não termina com o controle da infecção
Em pacientes de idade avançada, a recuperação também envolve avaliar se a pessoa voltou a comer, caminhar e realizar suas atividades habituais com segurança.
“Para um idoso, especialmente em idades muito avançadas, receber alta não significa apenas que a infecção melhorou. Precisamos pensar se ele está clinicamente estável e em quais condições funcionais retornará para casa. O objetivo é tratar a doença sem perder de vista a pessoa e a qualidade de vida que ela tinha antes da internação”, conclui Dra. Priscila Guerra.
Até o momento, as informações divulgadas indicam evolução favorável do quadro de José Sarney, que continua internado e acompanhado pela equipe médica.

