Brasil terá bandeira verde na conta de luz após cinco meses
O Brasil terá bandeira tarifária verde em outubro, sem cobrança adicional na conta de luz. A mudança ocorre após cinco meses de bandeira amarela e passa a valer a partir da próxima quinta-feira.
O anúncio foi feito na tarde na última sexta-feira (25) pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Logo depois, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou a medida.
A bandeira amarela vinha sendo aplicada havia cinco meses, com custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. A mudança já era prevista pelo setor elétrico.
Segundo Silveira, as chuvas registradas em setembro e o planejamento das entidades do setor contribuíram para a melhora das condições de geração de energia.
“As chuvas registradas neste mês, aliada ao bom planejamento junto a todas as entidades que compõem o setor elétrico, principalmente frente ao El Ninõ, foram imprescindíveis para isso”, declarou o ministro nas redes sociais.
Chuvas ajudam a recuperar reservatórios
De acordo com a Aneel, o início da transição entre os períodos seco e úmido aumentou o volume de chuvas nas regiões Sul e Sudeste.
Com isso, houve contribuição para a estabilização dos níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas.
A agência explicou que a melhora permite reduzir a utilização de fontes mais caras para a geração de energia, como as usinas termelétricas. Dessa forma, são evitados custos adicionais para os consumidores.
Setor já previa bandeira verde
Na semana passada, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) já apontava a possibilidade de bandeira verde a partir de outubro.
A previsão aparecia nos cinco cenários analisados pela empresa. O cenário representa uma mudança em relação ao mesmo período de 2025.
Naquele ano, o atraso no início do período úmido contribuiu para a adoção da bandeira vermelha patamar 1.
Para Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia, a mudança está relacionada principalmente ao maior volume de chuvas registrado em setembro.
“A mudança de cenário está relacionada, principalmente, ao maior volume de chuvas registrado em setembro”, explicou.
Para os próximos meses, os preços de energia estão projetados entre R$ 120 e R$ 140 por megawatt-hora (MWh).
El Niño mantém alerta para os próximos meses
Apesar da melhora nas condições, a atuação do El Niño mantém um cenário de atenção para o período.
O fenômeno pode modificar o regime de chuvas e as temperaturas. A previsão de um cenário climático adverso indica menor disponibilidade de energia produzida na região Norte.
Além disso, o aumento das temperaturas pode elevar a carga do sistema elétrico devido ao consequente crescimento do consumo de energia.
Outro fator considerado pelo setor é o risco hidrológico (GSF), que funciona como gatilho para o acionamento das bandeiras mais caras.
Também pesa o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), valor calculado para a energia que será produzida em determinado período.
Medidas preventivas são adotadas
Em julho, o ministro de Minas e Energia autorizou a antecipação do início do suprimento de cinco contratos vencedores do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Energia (LRCE 2022) e do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP 2026).
A medida teve como justificativa garantir capacidade adicional ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro.
O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, também havia detalhado a adoção de medidas preventivas diante das condições climáticas previstas.
Com o chamado super El Niño, as distribuidoras de energia elétrica reforçam os planos de contingência para enfrentar possíveis eventos climáticos extremos.
A previsão do setor aponta que o fenômeno poderá ser o maior El Niño da história, com 95% de probabilidade de impacto forte entre outubro e dezembro.
A Aneel informou ainda que os geradores de energia dos sistemas isolados do Norte, que não são conectados ao sistema elétrico, passaram a receber antecipadamente recursos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC).
A medida permite formar estoques de combustível na região diante da possibilidade de dificuldades de navegação provocadas pela previsão de um super El Niño.
Aneel monitora interrupções no fornecimento
Há aproximadamente um ano, a agência lançou o Radar, sistema criado para acompanhar, em tempo real, as interrupções no fornecimento de energia elétrica em todo o país.
A ferramenta reúne informações de 5.542 municípios, além de manter um histórico das ocorrências registradas.
Agência Brasil

