Arthur Lira diz que fará uma gestão independente na Câmara dos Deputados, nega trabalho em apoio à reeleição de Bolsonaro e assegura a maioria da bancada da PB

Uma visita bastante prestigiada e um discurso forte, sem papas na língua, e com muitos ataques ao atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Esse é o resumo da entrevista coletiva concedida pelo deputado federal Arthur Lira (PP-AL) à imprensa paraibana, no início da noite desta quarta-feira (13), em um hotel da Orla de João Pessoa. Ele visitou o Estado em ato de campanha pela Presidência da principal casa legislativa do país, que ocorrerá no próximo dia 1° de fevereiro.

Na oportunidade, Arthur Lira afirmou não ter dúvidas de que terá o apoio da maioria dos deputados federais da Paraíba. “A bancada paraibana tem livre trânsito e terá, diante da presidência da Casa, uma atenção especial para com as demandas deste Estado”, frisou Arthur Lira.
Ainda de acordo com o deputado, oito dos 12 deputados federais da Paraíba já estariam assegurados no grupo de sustentação à sua candidatura. São eles: Hugo Motta (Republicanos); Edna Henrique, Pedro Cunha Lima e Ruy Carneiro (Todos do PSDB); Julian Lemos (PSL), Wellington Roberto (PL), Wilson Santiago (PTB) e Damião Feliciano (PDT). Eles se reuniram em jantar de adesão logo após a entrevista.

Na entrevista, Arthur Lira falou abertamente sobre a relação com o deputado paraibano Aguinaldo Ribeiro (PP), de seu partido, que lançou candidatura à Presidência da Câmara, mas retirou em apoio a Baleia Rossi (MDB-SP), candidato de Rodrigo Maia.

Também abordou temas polêmicos, a exemplo da tramitação das propostas de reforma econômica e tributária, sobre a continuidade do auxílio emergencial, as manifestações contra o Congresso Nacional, e a relação conturbada entre o atual gestor Rodrigo Maia e o presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem partido).

Sobre a relação com o Governo Federal, Arthur Lira prometeu gerir a Câmara dos Deputados de forma independente, mas de maneira harmônica com os demais poderes, principalmente com o Executivo. “A Câmara não será a ‘Câmara do eu’, será a ‘Câmara do nós’. Nós vamos voltar a escutar o colégio de líderes, discutir com as bancadas e quando o presidente da Câmara se pronunciar, o fará em nome da Câmara depois de ouvir os seus pares. Nós não temos chefes, não somos nem tutores”, pontuou.

Entrevista coletiva do deputado Arthur Lira (Foto: Ângelo Medeiros)

Por fim, negou que fará do seu mandato à frente da Câmara dos Deputados, uma gangorra política em apoio à reeleição do presidente Jair Bolsonaro, nas eleições de 2022. “A cadeira de Presidente da Câmara não será usada para construir nenhum projeto político. Estamos tratando de uma eleição interna da Câmara dos Deputados e isso pouco vai refletir, ou nada, na condução do processo de 22. Cada partido seguirá seu rumo e a sua conveniência política”, frisou.

Fizeram parte da comitiva de Arthur Lira em visita à Paraíba os deputados Hugo Motta (Republicanos/PB), Julian Lemos (PSL/PB), Wellington Roberto (PL/PB), Celso Sabino (PSDB/PA), André Fufuca (PP/MA), Doutor Luisinho (PP/RJ), Iran Gonçalves (PP/RO); Johnathan Pereira de Jesus (Republicanos-RO), Celso Sabino (PSDB/PA), Cláudio Cajado (PP/BA), Marcelo Ramos (PL/AM) e Luis Miranda (DEM/DF).

Confira abaixo os principais trechos da entrevista, na íntegra:

RELAÇÃO COM AGUINALDO RIBEIRO

“O deputado Aguinaldo e eu sempre tivemos uma boa relação. Chegamos juntos [NA Câmara] em 2011, já estivemos em muitos momentos disputando a mesma batalha, mas, democracia é isso. O deputado Aguinaldo também tinha a pretensão de disputar a presidência da Câmara, procurou um caminho ligado ao presidente Rodrigo Maia, mas não foi possível. Nosso partido não esgotará as conversas para que se unifique e possamos andar juntos nas eleições. Com a exceção de Aguinaldo Ribeiro, nosso partido está unido, único, firme e forte. Uma bancada de 42 deputados que, hoje, podemos dizer que temos 41 votos dentro do nosso partido”.

APOIO DA BANCADA PARAIBANA

Com relação a bancada paraibana, são amigos de uma década, muitos deputados que estão aqui, e outros que não puderam, a exemplo do deputado Wilson Santiago que teve uma reunião em Brasília, mas mandou seu filho, Wilson Filho, que foi nosso companheiro, para representa-lo; da deputada Edna [Henrique], que por um problema pessoal e compreensível, não pode estar; do deputado Damião [Feliciano] que confirmou presença no jantar junto conosco; dos deputados do PSDB que tenho melhor relação, os deputados Ruy Carneiro e Pedro Cunha Lima, no qual teremos o prazer de conversar. Não tenho a menor dúvida de que teremos a maioria esmagadora da bancada da Paraíba, como temos em todos os Estados do Nordeste”.

AGENDA NOS ESTADOS

“O fato de estarmos, estado a estado, conversando com seus administradores e com a nossa bancada nos locais é para aguçar a sensibilidade de que cada Estado, num Brasil enorme e plural, tem as suas dificuldades específicas. O Nordeste pensa de um jeito, o Norte de outro, o Centro-Oeste de outro e o Sudeste e Sul pensam totalmente diferentes, tem outras demandas. Temos que tratar os desiguais com muita sensibilidade para que que a gente tenha um tratamento mais justo para o nosso povo. A bancada paraibana tem livre trânsito e terá, diante da presidência da Casa, uma atenção especial para com as demandas deste Estado”.

RODRIGO MAIS E A CÂMARA DO “EU, SOZINHO”

“A gente vive um momento de distorção muito forte que iremos consertar. Eu sou deputado federal, bem como todos aqui na mesa. Vivemos num Brasil de Constituição parlamentarista e de sistema presidencialista e um péssimo hábito criado nos últimos anos é da Câmara. A pior coisa que pode existir é a política do ‘eu sozinho’. Nos últimos anos, qualquer medida do presidente da República, seja quem for, quando ele faz o ato, a imprensa bota o microfone na boca do presidente da Câmara e ele diz eu faço, eu aconteço, eu engaveto, eu não pauto, eu não faço. Essa história vai acabar. A Câmara não será a ‘Câmara do eu’, será a ‘Câmara do nós’. Nós vamos voltar a escutar o colégio de líderes, discutir com as bancadas e quando o presidente da Câmara se pronunciar, o fará em nome da Câmara depois de ouvir os seus pares. Nós não temos chefes, não somos nem tutores”.

REFORMAS

“Lógico que as reformas econômicas serão tratadas de maneira diferenciada. [Ainda] temos as questões sociais, ou criação de um novo programa, ou extensão do auxílio emergencial; ou uma nova fórmula do Bolsa Família que será tratado somente em fevereiro, após termos votado. Antes disso é só proselitismo político, é só brincar com as pessoas que estão em dificuldade tanto econômica como sanitária, neste momento. Isso nós não fazemos”.

“Com as condições adequadas de governabilidade, nós precisaremos criar condições orçamentárias, ai vem a PEC emergencial, para que dentro de um orçamento possível, com um teto mais alto ou um piso mais baixo, a gente possa arrumar condições de criar um programa como esse, de investir no Brasil. Hoje, você tem o orçamento contingenciado, não pode fazer nada de infraestrutura, está totalmente amarrado. Vem a PEC administrativa, é outra sinalização forte para que o Brasil mostre que está bem encaminhado na contenção de gastos públicos, e tudo isso atrai investimentos externos, e de fundo, e mais dinheiro para o Brasil que tanto precisamos”.

“E, só após isso, a Reforma Tributária, que onde você chega, ouve um pensamento diferenciado daquele Estado, daquele governante, daquele prefeito, daquela população, daquela economia local. Nós não podemos ter, no meu ponto de vista e por aquilo que tenho ouvido nesses 10 Estados que já andei, um tratamento linear. Esse tratamento igual para os desiguais será terrivelmente prejudicial para a população brasileira e para os entes federados”.

CÂMARA INDEPENDENTE DO PLANALTO?

“Esse chavão criado por quem não quer largar o poder, é o que nós não aceitaremos. Nenhum presidente da Câmara será líder de governo, mas, não serei eu a fazer com que o Brasil não se desenvolva, não cresça, fazendo oposição ao país, travando pautas, engavetando matérias, usando na individualidade de achar que é o dono daquela Casa, que não tem dono e ninguém aqui tem patrão, que vai fazer dizer que ‘eu sou independente de ocasião’. Não há condição da outra chapa [do candidato Baleia Rossi] viajar sozinha pelo país, é sempre capitaneada pelo presidente atual [Rodrigo Maia], que não tem o desprendimento de saber que daqui a 15 dias ele deixará o cargo de presidente da Câmara”.

“A Câmara nunca será dependente de Poder nenhum, e nunca será puxadinho de Poder nenhum. O presidente da Câmara nunca será subserviente a Poder nenhum, e nós nunca deixaremos de ser um Poder autônomo e independente com os limites bem delimitados entre o Executivo e Judiciário, mas não seremos desarmônicos, não deveremos deixar de fazer pontes, não deveremos deixar de dialogar. A nossa vida na Câmara, enquanto líder partidário, sempre foi de diálogo e cumprimento de acordo, porque honrar a  palavra no Legislativo quem tem a marca sou eu, e somos nós que fazermos parte dos partidos que Centro, que sempre seguraram as matérias mais espinhosas que foram votadas no país”.

AUXÍLIO EMERGENCIAL

“Sempre defendi que, respeitando o teto de gastos e as leis de responsabilidade fiscal, cumprindo nosso papel institucional na Casa com relação ao trato orçamentário, que essas pessoas tenham um olhar mais apurado, porque somos todos de uma região de gente trabalhadora, mas que tem muitas desigualdades, e essas desigualdades precisam ser diminuídas com um programa justo e absoluta condição de você ter uma ascensão dentro da classe social em que você vive. Isso nós trataremos a partir de fevereiro, após ganharmos a eleição, e instalarmos junto com o presidente do Senado a Comissão Mista de Orçamento que não instalaram de propósito para dificultar a vida do Governo, do país e do Congresso. Vamos discutir a questão e com as condições de um orçamento justo e votado, vamos tratar desse tema dentro da legislação”.

MANIFESTAÇÕES CONTRA O CONGRESSO

“Somos contra manifestação antidemocrática e qualquer manifestação de anarquia, e, exemplificando, somos contra manifestações parecidas com o que ocorreu no Congresso americano. Todo ato na política tem consequência, e lá eles estão tratando disso. Uma repulsa total contra qualquer participação em ato antidemocrático”.

APOIO DA BANCADA DO PSL E OUTROS PARTIDOS

“Estamos tratando com muita cautela, com fidalguia e respeito. Os prazos para o fechamento dos blocos partidários só se findarão em primeiro de fevereiro, mas uma coisa precisa ficar clara, essa eleição não é de bloco, é uma eleição de deputados, e quando um partido não ouve seus deputados e anuncia uma decisão, não estou falando do PSL, e estou falando do ‘PSB de bola’, que até hoje não apresentou bloco, do próprio DEM, que enfrenta distorções e diferenças internas, do PSDB, do PDT, que não tem posição consolidada sobre para onde irão. Quanto ao PSL, na semana passada nós apresentados 32 assinaturas, e os líderes protocolaram apoio à nossa candidatura. O que dizem na imprensa que o PSL protocolou apoio a Baleia Rossi, foi apenas a assinatura de um deputado. Mas, como estamos falando de formação de bloco para eleição da Mesa Diretora, nenhum líder pode assinar pelo partido. É preciso 50% dos membros do partido e mais um. Sempre trabalhamos pela unificação partidária, sem pressão, no diálogo e sem dificultar a vida de qualquer legenda”.

APOIO A BOLSONARO EM 2022?  

 “O meu partido não tem nenhum projeto de poder específico para concorrer a qualquer cargo de presidente da República. A cadeira de Presidente da Câmara não será usada para construir nenhum projeto político para 2022. Estamos tratando de uma eleição interna da Câmara dos Deputados e isso pouco vai refletir, ou nada, na nossa gestão, na condução do processo de 22. Cada partido seguirá seu rumo e a sua conveniência política”.

RODRIGO MAIA X BOLSONARO

“Os problemas que o presidente Rodrigo Maia teve com o Executivo, quem tem que responder é ele próprio. Ele não recebeu autorização dos deputados para emitir juízo de valor sobre aquele ou determinado assunto, ele externa posições pessoais, e essas posições reverberam por ele ser o presidente da Casa. Isso é errado. Você não pode fazer do cargo que ocupa uma gangorra, um trampolim, para você se projetar. Nossa atuação será de harmonia, e democratização da pauta, das matérias, e sempre falando sobre o coletivo. Com absoluta independência, mas harmônico. É importante que mantenhamos a harmonia entre poderes para que a gente baixe a temperatura, porque dificuldades já existirão em 2021”.

 

 

 

Wscom

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Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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