João Modesto assume CRM/PB com desafios diante da Pandemia, zelo ético na medicina e firmeza para avançar com a modernidade

O médico endocrinologista João Modesto, paraibano de João Pessoa, agrega a trajetória de um dos mais influentes profissionais de saúde com reconhecimento nacional, agora tendo a missão de suceder o presidente do Conselho Regional de Medicina, médico Roberto Magliano encerrando gestão exitosa. Nesta entrevista EXCLUSIVA ao Portal WSCOM, o novo presidente aborda os mais importantes temas da atualidade a partir da Pandemia da Covid-19.

Eis a integra a seguir:

WSCOM – O significado conduzir o CRM/PB no auge da carreira profissional mesmo diante da pior pandemia sanitária no estado e País? Qual o papel do conselho nesse contexto?

JOÃO MODESTO –  Estamos vivenciando um momento extremamente difícil, mas que precisa ser enfrentado, pois o contexto da Pandemia é desafiador. Mesmo assim, vale ressaltar que o  CRM-PB, antes mesmo do primeiro caso de coronavírus na Paraíba, realizou ações de “Educação Médica Continuado”, sob minha coordenação, e levou a mais de 800 profissionais informações sobre avaliação clínica, diagnóstico e medidas de suporte. Ainda em 2020, Roberto Magliano instituiu o programa “Médicos Contra o Coronavírus”, um programa que percorreu 103 municípios e visitou 134 serviços de saúde, alguns mais de uma vez. Neste período, houve também supervisão direta com todos os serviços de referência e treinamento para atendimento a pacientes graves.
O CRM-PB, portanto, continua com sua missão de defender a medicina, condições dignas de trabalho para o médico e melhor assistência para o paciente, sempre em busca do bem-estar da sociedade.

WSCOM – O senhor sucede a gestão do presidente Roberto Magliano. Qual sua leitura crítica dessa fase?

JOÃO MODESTO – Suceder Roberto Magliano é um enorme desafio. Ele, como Presidente do conselho, trabalhou com um grupo, do qual fiz parte, e que inovou a forma com que os médicos e a sociedade enxergam o CRM-PB. Nesse sentido, entro com a missão de continuar esta gestão vigorosa para que o CRM continue sendo um órgão importante e sempre proativo para os médicos e a sociedade.

WSCOM – Quais os maiores desafios da classe médica na atualidade?

JOÃO MODESTO –  Os desafios são inúmeros mas, de uma forma geral, precisamos avaliar melhor a estruturação da carreira médica antes mesmo do jovem ser médico. É necessário aferir a qualidade de ensino médico, estimular os jovens médicos a manter o compromisso ético da profissão, estabelecer a necessidade de educação médica continuamente, potencializar novas lideranças e motivar com condições dignas de trabalho, o que inclui serviços estruturados e honorários adequados. Sou professor dos cursos médicos da UFPB e da FAMENE e tenho convicção de que não basta ensinar medicina, que não parece ser o mais difícil, mas procurar ensinar a ser um bom médico, que é o grande desafio.

WSCOM – Como o CRM convive com a nova cultura e realidade a exigir adaptação ao que se chama telemedicina?

JOÃO MODESTO – Alguns pensadores modernos sinalizam que três fatos foram marcantes nas últimas décadas: a chegada do homem a lua, o computador/internet e o genoma humano.  As modificações estão sendo rápidas e intensas. O advento da Inteligência Artificial é um fato. Nesse sentido, a forma como as pessoas se comunicam também modificou rapidamente na última década e a medicina está inserida neste contexto. Antes mesmo da pandemia, médicos já se comunicavam entre si e com seus pacientes à distância. O grande desafio é tornar a telemedicina segura para o médico e para o paciente na preservação dos dados, da privacidade, mas também na questão legal na emissão de receitas, atestados e demais documentos. Quero destacar que a telemedicina não substitui muitos aspectos importantes na avaliação da saúde do paciente. Por vezes, a forma que o paciente caminha, o cheiro que exala, a palpação, a ausculta, tudo isso pode esclarecer mais sobre a saúde do paciente. A telemedicina vem para auxiliar, mas não para substituir a presença do médico.

WSCOM – Um debate que dividiu o CFM e a ABM foi sobre a eficácia de medicamentos como cloroquina para combater precocemente a Covid. Qual sua opinião?

JOÃO MODESTO – Estamos atravessando um dos momentos mais aterrorizantes dos últimos tempos e com uma terrível e acirrada politização. Deveríamos todos estar unidos, discutindo com prudência, sensatez e muito trabalho em busca de soluções. Entendo que preconizamos sempre conduzir o paciente considerando as evidências científicas até então. A avaliação deve ser contínua. Entretanto, o CFM enviou para os CRMs uma orientação de não nos pronunciarmos sobre o assunto. Assim, como presidente da autarquia, prefiro não emitir opinião oficial neste momento, embora tenha minhas convicções pessoais, que podem mudar conforme os avanços científicos. Talvez tenhamos respostas num futuro o qual espero que não esteja longe.

WSCOM – Quais seus principais objetivos à frente da nova gestão no CRM?

JOÃO MODESTO – De início, quero afirmar que entendo que Soberana é  a Vida. Desse modo, o mais importante, neste momento é unirmos força e ajudar a salvar vidas. Precisamos continuar avaliando os serviços de saúde, a assistência e discutir soluções para os pontos de melhoria. Mais que críticas, precisamos pensar em soluções viáveis. Ao mesmo tempo, pretendo continuar defendendo a valorização dos princípios éticos da nossa profissão e realizar ações inovadoras e de impacto real para os médicos e para a sociedade. O CRM-PB precisa continuar conectado com o mundo atual, mais dinâmico, mais ágil, e buscar sempre o ponto de equilíbrio dentro dos preceitos éticos da nossa profissão.

Assine nosso boletim de notícias

Receba gratuitamente em seu email todas as notícias que acontecem no vale do Piancó, na Paraíba e no mundo, assine já, é grátis, digite seu melhor e-mail no compo abaixo e click no botão Assinar.

Falta pouco

Confirme sua assinatura gratuita seguindos o passo a passo abaixo:

Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *