O Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em seu caixa imediato no período que antecedeu a liquidação da instituição. A revelação foi feita pelo diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, que em depoimento que integra as apurações sobre o caso, detalhou a precária situação de liquidez da entidade financeira, apesar de o banco possuir ativos totais que somavam R$ 80 bilhões.
A disparidade entre o patrimônio total e o dinheiro disponível para movimentação imediata foi o ponto central da análise da autarquia. Segundo Aquino, o acompanhamento por parte da supervisão do Banco Central foi fundamental para entender como uma instituição desse porte chegou a um nível tão baixo de reserva financeira.
Liquidez em queda livre
Para contextualizar a gravidade do cenário, o diretor do Banco Central comparou os números do Master com os padrões esperados para instituições do mesmo segmento, classificadas como S3 (médio porte). Na estrutura bancária, ativos totais elevados devem ser acompanhados por uma reserva de títulos livres que garanta a operação diária.
“Para pontuar isso claramente: um banco de R$ 80 bi tem liquidez de R$ 3 bi, R$ 4 bi em títulos livres. O Master, antes da liquidação, só tinha R$ 4 milhões no caixa”, afirmou Ailton Aquino. A quantia disponível representava uma fração ínfima — cerca de mil vezes menor do que o considerado saudável para o setor.
O diretor ressaltou que, dada a crise de liquidez enfrentada pelo banco, o monitoramento constante tornou-se a única forma de a supervisão compreender a real capacidade de pagamento e os riscos envolvidos na operação.


