A Polícia Federal (PF) identificou trocas de mensagens entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O material foi localizado no aparelho celular e no armazenamento em nuvem do empresário, revelando comunicações que ocorrem desde 2021. O conteúdo das conversas já foi encaminhado e está sob análise do ministro Edson Fachin.
Com a identificação da comunicação, a Polícia Federal pediu, na noite desta quarta-feira (11), a suspeição de Dias Toffoli, do caso Master no STF. As informações foram confirmadas nos bastidores da investigação e apontam citações diretas ao ministro Toffoli em diálogos mantidos pelo banqueiro.
Investigadores da PF afirmam que entre as menções sobre Toffoli, há menções de pagamentos ao ministro. A apuração é para saber se uma empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Master no Resort teria feito transferências em dinheiro para o ministro.
Além disso, também foram encontradas menções e conversas com “dezenas” de parlamentares com mandato, todos com foro privilegiado.
Investigação acessa nuvem e conversas desde 2021
Os investigadores da PF tiveram acesso a um volume expressivo de dados após a apreensão dos dispositivos eletrônicos de Vorcaro. Além das mensagens diretas encontradas no hardware do aparelho, a perícia localizou um histórico arquivado na nuvem que cobre os últimos cinco anos.
Essa continuidade nas comunicações entre o magistrado e o banqueiro é um dos pontos centrais que a Polícia Federal busca detalhar. A análise técnica tenta agora identificar o teor das solicitações ou temas discutidos no período para verificar se há irregularidades ou conflitos de interesse.
A investigação da Polícia Federal, que corre sob sigilo, ganhou contornos ainda mais graves com informações obtidas. Segundo informações de investigadores da PF envolvidos no caso, perícias no celular de Vorcaro revelaram não apenas diálogos diretos com o ministro, mas também menções a supostos pagamentos em dinheiro destinados a Toffoli.
Análise de Edson Fachin e próximos passos
Diante da prerrogativa de foro de ministros do STF, o material coletado pela PF foi submetido à instância superior. O ministro Edson Fachin, responsável por avaliar o conteúdo, deve decidir sobre o desdobramento das investigações e se as conversas justificam a abertura de um inquérito formal.
Até o momento, os detalhes específicos sobre o que foi dito nas mensagens permanecem sob sigilo. A defesa de Vorcaro e o gabinete do ministro Dias Toffoli ainda não se manifestaram oficialmente sobre o acesso da PF a essas comunicações.
Nota do gabinete de Dias Toffoli
O gabinete de Dias Toffoli se manifestou sobre o caso por meio de nota.
O gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte.
Atuação de Toffoli no caso Master
O ministro Dias Toffoli assumiu um papel central nas investigações do Caso Banco Master ao avocar o inquérito para o Supremo Tribunal Federal (STF) em 2025. A decisão fundamentou-se na existência de menções a autoridades com foro privilegiado, como o deputado federal João Carlos Bacelar, o que, segundo o magistrado, justificaria a competência da Corte para evitar futuras nulidades processuais.
Durante sua condução, Toffoli impôs sigilo rigoroso aos autos e autorizou medidas de grande impacto, incluindo o bloqueio de aproximadamente R$ 5,7 bilhões em bens de investigados e a deflagração de novas fases da Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias e a circulação de “ativos podres” no sistema financeiro.
A atuação do ministro, no entanto, enfrentou forte pressão e críticas devido a decisões consideradas atípicas e a supostos conflitos de interesse. Questionamentos surgiram após a revelação de que familiares do ministro teriam ligações com empreendimentos que receberam investimentos de fundos ligados ao banco, além de relatos de que Toffoli teria viajado em um jato particular com um advogado de executivos do Master.
Defesa de Vorcaro
A defesa de Daniel Vorcaro manifesta preocupação com o vazamento seletivo de informações, que acaba por gerar constrangimentos indevidos, favorecer ilações e a construção de narrativas equivocadas, além de prejudicar o pleno exercício do direito de defesa. O respeito ao contraditório e ao devido processo legal é condição essencial para a correta apuração dos fatos. Tudo o que se espera dos responsáveis pela investigação é que exerçam suas atribuições de forma isenta e imparcial, por se tratarem de representantes do Estado com papel fundamental para a democracia. A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no regular funcionamento da Justiça, destacando que o esclarecimento completo das questões em análise depende de apuração técnica, equilibrada e conduzida com respeito às garantias fundamentais.


