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Brasil corta juros e EUA sobem; veja impacto no bolso

Brasil corta juros e EUA sobem; veja impacto no bolso

Superquarta desta semana teve uma particularidade: enquanto o Brasil reduziu os juros, os Estados Unidos aumentaram a taxa após três anos. As decisões podem afetar o brasileiro por meio do dólar, crédito e investimentos.

No Brasil, o Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) elevou os juros para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.

A expectativa de alta nos Estados Unidos chegou a 92,5% na terça-feira (16), segundo o FedWatch Tool, ferramenta que acompanha as apostas dos investidores para as decisões do banco central americano.

A previsão ganhou força após declarações mais duras de dirigentes do Fed. A alta do petróleo para mais de US$ 100 por barril, em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã, também reforçou essa expectativa.

Inflação e atividade econômica

A decisão dos bancos centrais ocorre em cenários diferentes.

Nos Estados Unidos, a inflação acumulada em 12 meses está em 3,4%, acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed. Ao mesmo tempo, a economia cresceu 0,4% no segundo trimestre, em relação aos três meses anteriores.

No Brasil, a inflação em 12 meses está em 4,22%, dentro da margem de tolerância da meta do Banco Central. A economia cresceu 0,5% no segundo trimestre, abaixo dos 1,1% registrados nos três meses anteriores.

Agora, o mercado acompanha se a alta dos juros americanos será um movimento isolado ou o início de uma sequência.

Dólar pode sentir efeitos da decisão

A decisão do Fed pode chegar ao cotidiano dos brasileiros principalmente por meio do câmbio e do crédito.

Segundo Fernando Benavenuto, especialista em investimentos e sócio-fundador da Anvex Capital, os efeitos não aparecem imediatamente.

“O efeito sobre a vida concreta do brasileiro é mais lento e vem por vias indiretas.”

De acordo com o especialista, um dólar mais pressionado encarece produtos importados e insumos, o que pode levar semanas ou meses para chegar aos preços pagos pelos consumidores.

Além disso, juros americanos elevados podem influenciar o fluxo de investimentos internacionais.

Quando os títulos americanos passam a oferecer uma remuneração maior, investidores podem direcionar mais recursos para esses ativos. Esse movimento pode fortalecer o dólar.

Juros americanos podem dificultar cortes no Brasil

Outro possível impacto está no crédito.

Benavenuto afirma que juros mais altos nos Estados Unidos reduzem o espaço para novos cortes da Selic no Brasil.

Na prática, isso pode contribuir para manter por mais tempo os custos de financiamentos, empréstimos e crédito rotativo em níveis elevados.

Por isso, a decisão do Fed desta quarta-feira não deve ser analisada isoladamente. As projeções divulgadas junto com a decisão também ajudam o mercado a avaliar os próximos passos da política monetária americana.

“O mercado vive de expectativas”, explica Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital.

Segundo ele, a alta dos juros, por si só, pode ter impacto limitado sobre o dólar. Já a sinalização sobre as próximas reuniões pode provocar movimentos maiores na moeda.

O que pode acontecer com o real

Caso o Fed sinalize novas altas, os investidores podem aumentar a procura por títulos americanos, considerados investimentos de menor risco.

Com mais recursos direcionados aos Estados Unidos, o dólar pode ganhar força em relação ao real.

Benavenuto avalia que o principal impacto para a moeda brasileira não está necessariamente na alta registrada nesta quarta-feira, mas na possibilidade de os juros americanos permanecerem elevados por mais tempo.

Isso pode reduzir a diferença entre os juros oferecidos no Brasil e nos Estados Unidos.

Esse diferencial é um dos fatores considerados por investidores estrangeiros ao decidir onde manter recursos. Quanto maior a vantagem dos juros brasileiros, maior tende a ser o incentivo para investimentos em reais.

“Se o Fed indicar juro terminal mais elevado, esse diferencial se comprime e a moeda brasileira perde parte de seu principal pilar de sustentação. O tom da comunicação pesa mais que o número”, afirmou Benavenuto.

Eleições e contas públicas também influenciam o dólar

O comportamento do dólar nas próximas semanas não dependerá apenas das decisões do Fed.

No Brasil, as contas públicas e o cenário eleitoral de outubro também podem aumentar a pressão sobre o real.

Segundo Benavenuto, é difícil separar com precisão quanto de uma eventual alta do dólar seria provocada por fatores externos ou domésticos.

Uma das formas de observar essa diferença é comparar o desempenho do real com o de outras moedas de países emergentes.

“Se o dólar sobe contra todo o mundo, a origem é externa. E se o real ‘apanha’ mais que o peso mexicano, o rand sul-africano ou o peso chileno, a origem é doméstica”, explicou.

Gabriel Magno ressalta, porém, que fatores externos e internos podem atuar simultaneamente e até compensar os efeitos uns dos outros nos próximos meses.

*Com informações G1


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Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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