O avanço do escândalo envolvendo o Banco Master ditou o ritmo e o tom das agendas dos pré-candidatos à Presidência da República nesta sexta-feira (22). Enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) optou pelo silêncio para mitigar o desgaste de sua imagem, seus principais concorrentes no campo da centro-direita usaram o dia para atacar a candidatura do parlamentar.
O dia do senador Flávio Bolsonaro foi marcado por uma tentativa de blindagem. O parlamentar participou de uma feira de agronegócio em Brasília, onde discursou em defesa da redução de impostos para o setor produtivo. No entanto, o foco de sua equipe esteve voltado a se afastar de polêmicas: durante toda a agenda, ele evitou conversar com os jornalistas.
No horizonte de sua pré-campanha, há uma viagem ao Rio de Janeiro para participar da Marcha para Jesus e a articulação de um embarque para os Estados Unidos na próxima semana, visando um encontro —ainda não confirmado— com Donald Trump.
Já o presidente Lula concentrou seus movimentos do dia na articulação institucional e na pauta de segurança pública. Durante entrevista à TV Brasil, o petista fez um apelo direto ao comando do Congresso para dar andamento à PEC da Segurança, parada há dois meses. “Se essa PEC for aprovada no Senado, 15 dias depois eu crio o Ministério da Segurança Pública”, disse.
Caiado e Zema contra Flávio
Os governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) aproveitaram suas agendas públicas para rivalizar diretamente com o herdeiro político do bolsonarismo, explorando as contradições do caso Daniel Vorcaro:
Ronaldo Caiado: Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o governador de Goiás dividiu seu dia entre agendas políticas e uma viagem ao sul de Minas Gerais voltada ao agronegócio. Ele cravou que o escândalo do Master vai pautar a eleição e questionou a viabilidade de Flávio: “Você não pode entrar numa campanha de segundo turno explicando problemas que você não conseguiu explicá-los no primeiro turno”.
Romeu Zema: O governador mineiro cumpriu agenda em São Paulo, onde participou de um almoço reservado com empresários e concedeu entrevista a um podcast. Zema subiu o tom contra o arranjo político de Brasília ao defender uma CPMI para o caso: “Fica muito claro que parece que é um tentando acobertar os crimes do colega”.
Na ponta oposta das agendas intensas dos demais concorrentes, o pré-candidato do partido Missão, Renan Santos, não teve agenda nesta sexta-feira, mantendo-se temporariamente fora do circuito de palanques e declarações do dia.

