O rápido efeito das chamadas “canetas emagrecedoras” tem impulsionado a adesão de um número crescente de pessoas ao tratamento para perda de peso. No entanto, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) anunciou novas diretrizes para disciplinar o uso dessas substâncias, alertando que o medicamento requer critérios específicos para prescrição e não atua de forma isolada. Atualmente, 60% da população brasileira apresenta excesso de peso, sendo que 40 milhões de pessoas são classificadas como obesas.
As novas orientações, que reúnem 32 recomendações, foram elaboradas por um grupo multidisciplinar de endocrinologistas, clínicos gerais e nutricionistas, incluindo o médico Márcio Mancini, membro da SBEM. O objetivo é evitar o uso indiscriminado e garantir que o tratamento seja direcionado a pacientes com indicação clínica clara, combatendo a utilização puramente estética sem supervisão.
Critérios para prescrição e público-alvo
A primeira recomendação da nova diretriz define quem deve recorrer aos medicamentos para emagrecimento baseando-se em indicadores de saúde específicos. A prescrição é indicada para:
- Pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) maior ou igual a 30.
- Pacientes com IMC maior ou igual a 27 que apresentem complicações relacionadas ao excesso de peso, como diabetes, colesterol alto, pressão alta ou apneia do sono.
- Homens com circunferência de cintura acima de 94 centímetros.
- Mulheres com circunferência de cintura acima de 80 centímetros.
A avaliação individualizada é considerada fundamental, uma vez que cada organismo reage de maneira distinta aos fármacos. O acompanhamento médico permite monitorar a evolução e ajustar as estratégias conforme a necessidade do paciente.
A obrigatoriedade da mudança no estilo de vida
A diretriz estabelece de forma enfática que esses medicamentos, em hipótese alguma, devem ser utilizados de forma isolada. A eficácia sustentável do tratamento depende de uma mudança profunda no estilo de vida, o que inclui a alteração da dieta e a prática regular de exercícios físicos.
Casos práticos demonstram que a combinação do fármaco com hábitos saudáveis potencializa os resultados. Um exemplo é o relato de pacientes que, ao associarem as “canetinhas” a uma alimentação balanceada e atividade física, conseguiram eliminar peso de forma significativa e segura em curto prazo.
Sem essa reeducação comportamental, o risco de interrupção do progresso ou recuperação do peso perdido é elevado. O foco das novas regras é garantir que a perda de peso ocorra com cuidado e responsabilidade, priorizando a saúde metabólica a longo prazo.


