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Esquema do INSS: por que Lulinha é investigado pela Polícia Federal?

Esquema do INSS: por que Lulinha é investigado pela Polícia Federal?

Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou, nesta quinta-feira (26), a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com a decisão, investigadores poderão acessar movimentações financeiras e comunicações de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

Ele é alvo de apuração por uma possível ligação com um esquema bilionário de desvio de recursos, envolvendo descontos irregulares em aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024.

Em janeiro, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), já havia autorizado a abertura dessas informações, a pedido da Polícia Federal (PF), conforme divulgado pela imprensa nacional.

Relator do processo na Corte, o magistrado acolheu o argumento da PF de que existia “suspeita consistente” de que Lulinha teria recebido ao menos um repasse de R$ 300 mil do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Antunes é apontado como principal articulador do esquema, e a PF suspeita que o filho do presidente possa ter atuado como sócio oculto. Ele está preso desde setembro.

“O filho do rapaz”

A hipótese dos investigadores é que Lulinha tenha sido mencionado em mensagens trocadas entre Antunes e outro lobista. Nas conversas, o destinatário do pagamento de R$ 300 mil era citado como “o filho do rapaz”, que poderia ser Lulinha. Ainda assim, não há confirmação definitiva dessa relação com o apelido.

A empresária Roberta Luchsinger é apontada como possível intermediária entre Antunes e Lulinha. Segundo as investigações, ela teria recebido diversos repasses do “Careca do INSS”, que somam R$ 1,5 milhão, valores que posteriormente seriam transferidos a terceiros. Além disso, Luchsinger seria amiga do filho do presidente.

Em dezembro, quando surgiram os primeiros indícios envolvendo o nome de Lulinha no caso do INSS, o advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou ao portal Poder360 que as acusações eram “boatos e ataques” com o objetivo de prejudicar sua família e o governo federal. Na ocasião, Lula declarou que, caso o filho estivesse envolvido, seria investigado.

Em nota divulgada nesta semana, a defesa de Lulinha afirmou que o cliente não possui qualquer vínculo com as fraudes, não tendo participado de desvios nem recebido valores de origem criminosa.

Para embasar a decisão desta quinta-feira, a CPMI também mencionou uma suposta viagem aérea feita por Lulinha e Antunes juntos para Lisboa, em 2024, ambos na primeira classe de um voo da Latam.

Ainda não está claro, no entanto, qual seria o grau de eventual participação de Lulinha no esquema, já que ele aparece mencionado por terceiros, sem evidências de envolvimento direto.

Um dos interesses de Antunes seria que Lulinha atuasse em lobby em favor de sua empresa de comercialização de canabidiol, com o objetivo de firmar contratos com o Ministério da Saúde. O advogado do lobista informou que ele se colocou à disposição do STF para prestar esclarecimentos assim que a defesa tiver acesso aos autos do processo.

Quem é Lulinha

Lulinha é o filho mais velho de Lula com Marisa Letícia. Formado em Biologia pela Universidade Paulista (Unip), iniciou a carreira como estagiário no Zoológico de São Paulo. Pouco tempo depois, tornou-se sócio de uma empresa do setor de jogos eletrônicos.

Em 2019, foi denunciado pelo suposto recebimento de vantagens indevidas da Oi/Telemar entre 2004 e 2016.

No ano seguinte, também foi alvo da Operação Lava Jato, sob suspeita de receber repasses da Oi/Telemar em troca de decisões favoráveis à companhia durante governos petistas. Todos esses processos acabaram arquivados.

De acordo com o portal Metrópoles, Lulinha estaria morando na Espanha desde julho, onde teria sido contratado para trabalhar em uma empresa em Madri.

Como funcionava a “farra do INSS”

O esquema veio a público em abril de 2025, quando foi deflagrada a Operação Sem Desconto. Na primeira fase, foram cumpridos 211 mandados de busca e apreensão e outros seis de prisão temporária em 13 estados e no Distrito Federal.

A fraude envolvia associações de classe que cobravam valores de aposentados e pensionistas para serviços como assessoria jurídica ou convênios com academias e planos de saúde.

Esses valores poderiam ser descontados de forma legal, diretamente na folha de pagamento dos beneficiários, desde que houvesse autorização expressa. As entidades também precisavam firmar um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS.

Uma Medida Provisória de 2019 tentou regulamentar o sistema ao prever revisão periódica dos descontos, mas o Congresso revogou as regras em 2022, após pressão do setor.

Em 2023, a Controladoria-Geral da União (CGU) identificou aumento nas reclamações sobre débitos indevidos e iniciou as investigações. O volume de recursos descontados saltou de R$ 617 milhões em 2019 para R$ 2,8 bilhões em 2024. A partir de junho do ano passado, a PF abriu 12 inquéritos sobre o caso.

Os órgãos de controle concluíram que muitos descontos estavam sendo feitos sem autorização de aposentados e pensionistas. Há indícios, inclusive, de falsificação de documentos para simular o consentimento.

Ex-servidores do INSS beneficiados

A Polícia Federal também apontou a existência de um esquema articulado entre as entidades investigadas para realizar repasses a ex-servidores do alto escalão do INSS.

Pelo menos três ex-dirigentes teriam recebido mais de R$ 17 milhões por meio de intermediários: Virgílio Antônio, ex-procurador-geral; André Fidélis, ex-diretor de Benefícios; e Alexandre Guimarães, ex-diretor de Governança do INSS durante o governo de Jair Bolsonaro.

Antunes, por sua vez, teria movimentado cerca de R$ 24,5 milhões em aproximadamente cinco meses e atuava como procurador com “plenos poderes” para representar algumas das entidades. Pessoas e empresas ligadas a ele receberam ao menos R$ 48 milhões das associações suspeitas.

Portal Paraíba


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Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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