Inflação será o grande desafio global para 2023; alerta especialistas

Estamos centrados nos acontecimentos recentes da vida nacional. Porém, temos um contexto global desafiador, cujo pano de fundo é a inflação. Essa visão foi apresentada pela economista sênior da LCA Consultores, Thaís Zara, durante a “Palestra LCA Consultores: cenário macroeconômico pós-eleições”, realizada esta semana na sede da CNT, na última terça-feira (1º).

“O grande desafio do mundo é a inflação. Nos EUA, a curva de juros está caminhando para cima, com a sinalização de uma taxa de juros com uma média de um ponto para cima. Uma novidade em todo o mundo em um nível que não se via desde a década de 1980.”, destacou a especialista. Zara citou que o movimento traz uma valorização do dólar acima do resto do mundo em patamares que não eram vistos desde 2000. “No Brasil, temos um preço de commodities alto, que segura uma taxa de câmbio comportada. E estamos esperando uma reversão na taxa de juros americanas, que deve trazer um regime de normalidade”, previu.

 

A economista explica que a outra face do movimento de alta do dólar e da taxa de juros é a redução do preço das commodities, principalmente as metálicas. Em relação ao preço dos combustíveis, Thaís Zara, fala que além da guerra na Ucrânia, a restrição da produção por parte da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), pressionaram os preços. “Ao mesmo tempo, temos sinais positivos a respeito das cadeias produtivas, que trouxeram um recuo no preço do frete no exterior. E a etapa de disrupção nas cadeias produtivas está perto de chegar ao fim. Além disso, depois de uma inflação global forte, em breve, veremos uma inflexão”, tranquilizou.

Sobre o cenário brasileiro, Zara disse que a inflação chegou antes do que no resto do mundo, em razão da crise energética e da desvalorização da nossa moeda. Passada essa fase, veremos sinais de moderação. “Em parte, por causa da desoneração tributária e da normalização das cadeias produtivas brasileiras. Há sinais de um recuo de inflação devido à queda nos preços de alimentos. Para este ano, a inflação deve ficar em 5,5%.”

A consultora da LCA ressaltou que, no Brasil, o mercado de trabalho vem surpreendendo positivamente, com efeitos para o consumo. “Para o PIB brasileiro, em 2022, as boas notícias foram a melhora sanitária, os estímulos ao consumo e a queda dos combustíveis”, resumiu.

Sobre as expectativas para 2023, Zara reforçou que é esperada uma queda na inflação, bem como a redução da incerteza doméstica. “Mas, será preciso mudar o orçamento”, alertou. Salário mínimo, Auxílio Brasil e um eventual aumento salarial dos servidores são assuntos que, com certeza, estarão na pauta.

Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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