Mulher invade jornal de TV estatal russa com cartaz contra guerra na Ucrânia

Uma mulher invadiu nesta segunda-feira (14) o estúdio do canal estatal russo Channel One com um cartaz em protesto contra a guerra na Ucrânia. Na cartolina, a jornalista Marina Ovsyannikova trazia a mensagem “Pare a guerra! Não acredite em propaganda! Eles estão mentindo para você aqui”.

No vídeo, a âncora do telejornal chamava uma matéria quando Ovsyannikova invadiu o estúdio com o cartaz e gritou em russo “Não à guerra! Parem a guerra”. Poucos segundos após o ato, o jornal cortou as imagens do estúdio e iniciou a exibição de uma matéria.

O canal de TV Channel One, logo após o ocorrido, divulgou uma nota em que diz estar investigando o caso, segundo a agência de notícias russas TASS. Ovsyannikova seria uma das editoras do canal de televisão.

Ainda de acordo com a TASS, Ovsyannikova foi detida e levada para prestar esclarecimentos sobre o caso. É válido ressaltar que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, sancionou uma lei que prevê 15 anos de prisão para quem veicula “notícias falsas” sobre as Forças Armadas do país.

Usando as redes sociais antes da invasão ao vivo na TV estatal, Ovsyannikova publicou um vídeo em que protesta contra a guerra e ressalta ser filha de pai ucraniano e mãe russa.

“Toda a responsabilidade desta agressão recai sobre a consciência de uma pessoa: Vladimir Putin. Meu pai é ucraniano, minha mãe é russa. Eles nunca foram inimigos.”

A jornalista destacou também a vergonha que tem de ter trabalhado por tantos anos no Channel One, que funciona, segundo ela, como plataforma de propagada de Putin.

“Infelizmente, nos últimos anos eu trabalhei no Channel One, promovendo a propagada do Kremlin, e por isso estou bem envergonhada agora. Estou envergonhada porque deixei mentiras serem ditas pela tela da TV, porque deixei o povo russo ser zumbificado.”

Para Ovsyannikova, todo o mundo se afastou da Rússia com esta invasão, algo que demorará anos para ser mudado. “Dez gerações de nossos descendentes não serão capazes de limpar a vergonha desta guerra fratricida”, conclui.

 

R7

Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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