Pular para o conteúdo
Sete detentos de facção tentam sair de presídio com alvarás de soltura falsos

Sete detentos de facção tentam sair de presídio com alvarás de soltura falsos

Uma inspeção da Secretaria de Administração Penitenciária da Paraíba (Seap-PB) identificou uma tentativa de liberar sete integrantes de facções criminosas da Penitenciária de Segurança Máxima PB1 e PB2, em João Pessoa, por meio de alvarás de soltura falsificados. O caso foi confirmado nesta terça-feira (19) e é investigado pela Polícia Civil da Paraíba.

Segundo a Seap-PB, os presos chegaram a ser chamados para assinar os documentos de liberação. No entanto, policiais penais identificaram inconsistências durante a conferência documental e impediram a soltura dos detentos.

De acordo com a secretaria, o sistema prisional possui protocolos rigorosos de análise e verificação de documentos judiciais. Durante a inspeção técnica, foram detectadas irregularidades nos alvarás apresentados, o que levou ao bloqueio imediato das liberações.

As investigações apontam que os documentos falsificados apresentavam assinaturas falsas de magistrados da Vara de Execuções Penais. Após serem consultados, a juíza Andrea Arcoverde Cavalcanti Vaz e o juiz Carlos Neves confirmaram que não haviam expedido nenhuma autorização de soltura.

A apuração inicial indica ainda que os alvarás teriam sido enviados por meio do Malote Digital do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sistema utilizado para comunicações oficiais entre órgãos do Judiciário. A suspeita é de possível uso indevido de credenciais de servidores federais.

Entre os presos que seriam beneficiados pela fraude estão integrantes de facções criminosas como Comando VermelhoNova Okaida e Bonde do Cangaço. Alguns possuem penas superiores a 27 anos de prisão e são apontados pelas autoridades como líderes e integrantes da alta cúpula dessas organizações.

Os detentos identificados foram:

  • Clodoberto da Silva, conhecido como “Betinho”;
  • Diego Alexandro dos Santos Ribeiro, o “Baiola”;
  • Samuel Mariano da Silva, o “Samuca”;
  • João Batista da Silva, o “Junior Pitoco”;
  • Célio Luis Marinho Soares, o “Celio Guará”;
  • Vinicius Barbosa de Lima, o “Vini”;
  • Francinaldo Barbosa de Oliveira, o “Vaqueirinho”.

Segundo documentos do sistema prisional, os investigados exercem funções estratégicas dentro das organizações criminosas. Entre eles, há chefes de facções, conselheiros e integrantes responsáveis por conflitos armados em diferentes regiões da Paraíba e também no Rio Grande do Norte.

A Seap-PB informou que abriu um procedimento interno para apurar a possível participação dos presos na tentativa de fraude. Caso haja comprovação de envolvimento, as medidas poderão impactar o cumprimento das penas e resultar em sanções disciplinares.

Paralelamente, documentos foram encaminhados à Polícia Civil para investigação da origem dos alvarás falsificados, identificação dos responsáveis e apuração de possíveis crimes relacionados ao esquema.

O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) confirmou que houve tentativas de utilização dos documentos falsos, mas destacou que nenhuma soltura foi efetivada. Segundo o órgão, a fraude foi impedida pela atuação conjunta dos sistemas de segurança e das equipes responsáveis pela análise documental.

Ainda conforme o TJPB, o caso foi comunicado à Presidência do tribunal, às comissões de segurança institucional e à Corregedoria-Geral de Justiça. O Ministério Público também foi informado sobre a ocorrência.

O secretário de Administração Penitenciária da Paraíba, Tércio Chaves, afirmou que o sistema prisional registrou pelo menos 13 tentativas de fraude envolvendo documentos falsos e possível uso de Inteligência Artificial desde dezembro do ano passado.

Segundo ele, o nível de sofisticação dos materiais apresentados tem chamado atenção das autoridades. Apesar disso, os protocolos de segurança adotados pelo sistema penitenciário têm impedido a liberação indevida de presos considerados de alta periculosidade.

Resumo da Notícia

  • Sete presos tentaram deixar presídio com alvarás falsificados
  • Fraude foi identificada durante conferência documental na PB1 e PB2
  • Documentos tinham assinaturas falsas de magistrados
  • Investigação aponta possível uso indevido do Malote Digital do CNJ
  • Polícia Civil e Seap-PB investigam origem dos documentos falsos


Author Avatar

Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.