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Tarifa de Trump: Lula e Flávio travam guerra por narrativa eleitoral

Tarifa de Trump: Lula e Flávio travam guerra por narrativa eleitoral

decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma taxa extra sobre produtos brasileiros deve se tornar um dos principais temas da disputa presidencial de 2026. As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principais adversários na corrida ao Palácio do Planalto, pretendem transformar a medida e seus efeitos econômicos em um dos eixos centrais da corrida eleitoral.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acatou uma recomendação do Escritório do Representante de Comércio (USTR, na sigla em inglês) e determinou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de itens exportados do Brasil. A decisão foi anunciada na noite de quarta-feira (15/7).

Uma extensa lista de produtos ficará fora da sobretaxa, incluindo carne, café e suco de laranja. As tarifas são resultado de uma investigação conduzida pelo USTR sobre políticas brasileiras que, segundo o governo norte-americano, prejudicam o comércio dos Estados Unidos. A previsão é de que a medida entre em vigor em 22 de julho.

“Tariflávio”

Integrantes das campanhas de Lula e Flávio admitem que o tema será explorado de forma intensa ao longo da campanha. Mesmo com reuniões e esforços diplomáticos do Itamaraty para tentar evitar a taxação, o governo brasileiro já trabalhava com a expectativa de que a decisão seria confirmada e buscava desvincular a medida da atuação do Planalto.

No Palácio do Planalto, a avaliação é de que a tarifa tem motivação política e foi estimulada por integrantes e aliados da família Bolsonaro. Com a formalização da decisão, a campanha de Lula prepara uma ofensiva para associar a sobretaxa à atuação do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A estratégia será sustentar que aliados da família contribuíram para o agravamento das relações entre Brasil e Estados Unidos e influenciaram na adoção das sanções comerciais. O entorno de Lula pretende intensificar o uso do termo “Tariflávio”, em uma tentativa de associar o senador à medida.

A campanha também deve reforçar as críticas à atuação de aliados de Flávio em Washington, sob o argumento de que figuras como Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo pressionaram o governo norte-americano a adotar sanções contra o Brasil.

O PT ainda pretende ampliar as referências a Flávio como “traidor da pátria” e explorar viagens do senador aos Estados Unidos, onde ele se reuniu com Trump e integrantes do governo norte-americano e participou de uma audiência promovida pelo USTR.

Na avaliação de aliados de Lula, Flávio teve papel relevante na decisão norte-americana. O grupo também pretende lembrar que, ao tentar se desvincular da sobretaxa, o senador defendeu o adiamento da entrada em vigor das tarifas para evitar que seus efeitos recaíssem sobre a campanha antes da eleição.

A equipe do presidente considera que o episódio se soma a uma sequência de desgastes enfrentados por Flávio nos últimos meses.

Entre eles estão a revelação de que, a pedido do senador, o banqueiro Daniel Vorcaro financiou um filme em homenagem a Jair Bolsonaro; a exposição de um racha com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro; e as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que colocaram o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, no centro de uma investigação sobre desvios de emendas parlamentares e impediram Flávio de visitar o pai, que cumpre prisão domiciliar.

Nesta quinta-feira (16/7), o PT enviou uma orientação à militância para explorar o tema nas redes sociais. “Vamos mostrar a origem desse ataque à nossa soberania: a família Bolsonaro e seus aliados”, afirma o texto.

 

 

Metrópoles


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Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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