O número de cirurgias de explante mamário atingiu o maior patamar em 11 anos no Brasil. Em 2024, mais de 42 mil mulheres optaram pela retirada definitiva das próteses de silicone, motivadas tanto por questões estéticas quanto por complicações de saúde. O movimento reflete uma mudança de comportamento e de prioridades entre as pacientes brasileiras.
A advogada Narda Angélica da Silva e Silva é um dos rostos dessa estatística. Oito dias após o procedimento, ela relata que o peso excessivo dos seios era um fator limitante em sua rotina. Com a retirada, ela planeja retomar atividades físicas, como corrida e academia, que antes geravam desconforto físico constante.
Diagnósticos de câncer e complicações sistêmicas
Além das questões de conforto, o aspecto clínico tem impulsionado a busca pelo explante. Recentemente, a influenciadora Evelin Camargo compartilhou seu diagnóstico de um tipo raro de linfoma, câncer que se origina nas células do sistema linfático. Ela relatou que o seio esquerdo triplicou de tamanho e os exames confirmaram a doença, que estava restrita à cápsula que envolvia a prótese. No caso dela, o tratamento indicado foi a remoção imediata do implante.
Embora casos de câncer associados ao silicone sejam considerados raros, outras complicações são mais frequentes no consultório médico:
- Doença do Silicone: Caracterizada por sintomas sistêmicos como dores intensas e fadiga persistente.
- Síndrome ASIA: Uma condição autoimune em que o silicone atua como um gatilho para o sistema imunológico atacar o próprio organismo.
Riscos cirúrgicos e o fator autoestima
Apesar da tendência crescente, o Jornal da Band destaca que a decisão pela retirada não deve ser tomada por impulso. A repórter Laila Hallack ressalta que especialistas alertam para a necessidade de uma avaliação criteriosa e individualizada para cada paciente.
O cirurgião plástico Eduardo Costa Teixeira pondera que o explante carrega todos os riscos inerentes a qualquer intervenção cirúrgica de grande porte. Além das questões físicas, o médico enfatiza que a cirurgia mexe profundamente com a estética e a autoestima da mulher, fatores que precisam ser pesados com cautela antes de levar a paciente à mesa de operação.


