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Surdez não tratada pode elevar em 25% o risco de demência em idosos

Surdez não tratada pode elevar em 25% o risco de demência em idosos

A perda de audição, processo natural do envelhecimento, deixou de ser apenas uma questão de qualidade de vida para se tornar um alerta crítico de saúde mental. Especialistas advertem que a surdez progressiva, quando não tratada, pode provocar perda cognitiva e acelerar quadros de demência. Segundo um estudo chinês, idosos com surdez apresentam um risco até 25% maior de desenvolver a doença.

O esforço excessivo do cérebro para compreender a fala em ambientes cotidianos é uma das explicações para esse fenômeno. De acordo com o Dr. Robinson Koji Tsuji, médico otorrinolaringologista e presidente da Sociedade Brasileira de Otologia, a sobrecarga cerebral gerada pela perda auditiva parcial é um fator determinante para o desenvolvimento de processos demenciais.

O impacto no convívio social

Para muitos pacientes, o uso do aparelho auditivo ainda enfrenta a barreira do preconceito, o que retarda o diagnóstico e o tratamento. No entanto, o uso da tecnologia é essencial para a manutenção das relações interpessoais. O médico Eduardo Libório Menniti, de 85 anos, utiliza o equipamento há 15 anos e destaca que a transparência sonora permite a participação ativa em reuniões e no convívio familiar.

A percepção da perda auditiva muitas vezes ocorre em momentos de lazer. No caso de Eduardo, foi sua filha, a fonoaudióloga Patricia Menniti Pennini, quem notou os primeiros sinais durante encontros em família. Um check-up auditivo posterior detectou uma perda leve, que foi imediatamente corrigida com o uso de próteses.

Células ciliadas e o envelhecimento

A perda auditiva relacionada à idade ocorre devido ao desgaste das células ciliadas localizadas no ouvido interno. Essas células são responsáveis por se movimentar quando o som entra no canal auditivo. Com o passar dos anos, elas tendem a envelhecer e perder sua função motora, resultando na diminuição da capacidade de captar estímulos sonoros.

Atualmente, a tecnologia dos aparelhos permite filtrar o som de forma inteligente. Em um restaurante, por exemplo, o equipamento destaca as vozes próximas e suaviza o ruído de fundo, evitando que a mensagem se perca no “burburinho”. Os modelos mais modernos contam inclusive com inteligência artificial para melhorar a compreensão da fala em locais ruidosos.

Diagnóstico precoce e acesso pelo SUS

O acesso ao tratamento tem crescido no Brasil. Somente no ano passado, o Sistema Único de Saúde (SUS) forneceu 184 mil aparelhos auditivos. A recomendação médica é que qualquer perda, por menor que seja, receba acompanhamento profissional.

“O diagnóstico precoce sempre é essencial”, afirma o Dr. Robinson Koji Tsuji. Segundo o especialista, o tratamento imediato não apenas melhora a rotina do paciente, mas atua diretamente na diminuição do avanço do problema auditivo e na preservação da saúde cerebral a longo prazo.


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Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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