Pular para o conteúdo
Furtos de cabos em usinas solares acendem alerta no setor de energias renováveis na PB

Furtos de cabos em usinas solares acendem alerta no setor de energias renováveis na PB

Casos pontuais de furto de cabos de cobre e de equipamentos elétricos em usinas solares têm chamado a atenção do setor de energias renováveis na Paraíba. Uma dessas ocorrências foi registrada em 15 de outubro, em uma usina solar particular no município do Conde, na Região Metropolitana de João Pessoa. A ação criminosa atingiu cabos, inversores e transformadores e provocou um prejuízo estimado em pelo menos R$ 400 mil.

Embora sejam episódios isolados, esses furtos preocupam pelo impacto que podem causar na operação dos empreendimentos. A principal motivação é o valor de revenda do cobre. Como as usinas fotovoltaicas costumam ocupar áreas extensas e afastadas dos centros urbanos, a atenção à segurança dessas instalações se torna ainda mais importante.

O vice-presidente técnico da APB Renováveis, José Ricardo Félix, já enfrentou o problema na prática. À frente da Complementar Engenharia, empresa que atua no setor, ele relata ter tido cabos de 240 mm furtados em subestação.

O problema vai além da perda de equipamentos. Em usinas solares, os cabos e os demais componentes elétricos conectam os sistemas de geração à rede e permitem que a energia produzida chegue aos consumidores. Quando esses materiais são furtados, a operação pode ser interrompida, mesmo que os módulos fotovoltaicos continuem funcionando normalmente.

As consequências também atingem a sustentabilidade financeira dos empreendimentos. Com a operação interrompida, os geradores deixam de obter receita pela energia que não conseguem injetar na rede. Ao mesmo tempo, aumentam os custos com reposição de materiais, reparos e segurança. Na geração distribuída e nos modelos de energia por assinatura, a interrupção também pode afetar a compensação de créditos destinados aos consumidores atendidos pelos sistemas.

Para Rafael Targino, presidente da Associação Paraibana de Energias Renováveis (APB Renováveis), mesmo sendo ocorrências pontuais, os furtos exigem atenção, tanto pelos prejuízos econômicos quanto pelos riscos à segurança das instalações. “Mesmo com os módulos gerando normalmente, a energia não consegue ser escoada: a usina para de injetar, o gerador perde receita e, no caso de geração distribuída e energia por assinatura, os créditos deixam de chegar aos consumidores”, explica.

Além dos impactos operacionais, a retirada irregular de cabos pode provocar curtos-circuitos, danificar inversores e transformadores e colocar em risco os profissionais responsáveis pelos reparos. A substituição de equipamentos específicos também pode prolongar a paralisação e ampliar as perdas financeiras.

Para evitar novas ocorrências, a APB Renováveis defende uma atuação preventiva, com o fortalecimento da segurança nas instalações e a ampliação das ações de fiscalização e de combate à receptação. Entre as medidas apontadas por Rafael Targino estão o uso de câmeras com análise de imagens, sensores de intrusão e alarmes integrados a centrais de monitoramento. “É fundamental integrar geradores, concessionárias de energia, associações do setor e forças de segurança, com compartilhamento de informações e inteligência”, destaca.

O combate à receptação também é considerado essencial para dificultar a venda de materiais de origem ilícita. No campo legal, o país também avançou: foi sancionada uma lei que endurece as penas para furto e roubo de cabos elétricos. Para o setor, a articulação entre os diferentes agentes é o caminho para prevenir novos casos e garantir a segurança de uma infraestrutura estratégica para a geração de energia limpa no estado.

 

Parlamento PB

Assembleia PB

Author Avatar

Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

Deixe um comentário