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Linguagem corporal de Lula e Flávio no debate pode influenciar eleitor

Linguagem corporal de Lula e Flávio no debate pode influenciar eleitor

A postura, os gestos e as expressões faciais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate presidencial da Band, realizado no domingo (18), foram analisados por Vitor Santos, especialista em linguagem corporal do Metaforando. Na avaliação do entrevistado, os dois candidatos apresentaram características distintas na comunicação não verbal ao longo do confronto.

Gestos e postura dos candidatos

Ao comentar a atuação de Lula, Santos destacou os movimentos feitos com as mãos, especialmente os gestos verticais, que chamou de “gesto do machado”. “Gestos muito expressivos de cima para baixo, o famoso ‘gesto do machado’, cortando na linha do meio, como o Lula faz diversas vezes, traz esse sentimento de revolta, de indignação”, afirmou.

Sobre Flávio, Santos chamou a atenção para o peito aberto, o queixo elevado e as palmas das mãos visíveis. Ele também relacionou a fala mais pausada à impressão de autocontrole: “Historicamente dizendo, falar mais devagar, falar mais calmo transmite a ideia de autodomínio, de autocontrolo”.

As observações refletem a interpretação do especialista sobre a apresentação dos candidatos diante das câmeras e não permitem concluir, por si só, que um deles estava mais seguro do que o outro.

A posição dos candidatos nas imagens

Santos também comentou a composição das imagens durante as falas de Lula. Em alguns momentos, Flávio aparecia ao fundo enquanto o presidente falava. Para o especialista, a combinação entre a imagem de Lula e a identificação visual do senador poderia interferir na atenção de quem acompanhava o debate. “Ela vê a imagem do Lula, mas lê o nome do Flávio Bolsonaro”, explicou, ao descrever uma possível reação do espectador.

A avaliação é uma hipótese sobre a percepção do público. Não há, na análise apresentada, comprovação de que o enquadramento tenha prejudicado o raciocínio de Lula ou alterado a escolha dos eleitores.

Expressões faciais e reação da plateia

Ao analisar as expressões faciais dos candidatos enquanto ouviam o adversário, Santos identificou sinais que, segundo sua interpretação, estariam associados a diferentes emoções. Ele relacionou expressões de Lula à raiva, ao nojo e ao medo, enquanto atribuiu a Flávio sinais de desprezo e medo. “O desprezo que os dois mostram quando um está escutando o outro falar tá associado ao sentimento de desaprovação”, afirmou.

Santos também comentou as reações da plateia. Na avaliação dele, vaias, aplausos e risadas podem interferir no ritmo das falas e na concentração dos candidatos. “Uma vaia, uma palma, uma risada pode desconcertar uma pessoa por conta do medo de exposição pública”, disse.

Acusações e humor no confronto direto

Na análise dos embates verbais, Santos mencionou o tu quoque, estratégia retórica em que alguém responde a uma acusação apontando uma suposta contradição ou um comportamento semelhante de quem fez a crítica. O especialista avaliou que os dois candidatos recorreram a esse tipo de argumento e considerou que ambos foram evasivos nos confrontos diretos: “Na minha interpretação, os dois foram bem evasivos no momento do confronto direto”.

Santos também destacou a piada de Lula sobre querer que 100% da população carcerária votasse em Flávio, incluindo o pai do senador. Para o entrevistado, o comentário provocou uma reação da plateia e interrompeu momentaneamente a linha de argumentação do adversário. “Esse uso do humor pontual foi muito forte retoricamente”, avaliou.

 

Uol

Assembleia PB

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Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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