Novos diálogos interceptados pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro revelam detalhes de uma estratégia para tentar encobrir um rombo bilionário no Banco Master por meio de recursos do Banco de Brasília (BRB). As mensagens, que fundamentam as investigações sobre corrupção e crimes contra o sistema financeiro, mostram que Vorcaro recorria à cúpula do banco estatal desde 2024 para viabilizar operações que evitassem o colapso de sua instituição.
O material vem à tona na véspera de um julgamento decisivo no Supremo Tribunal Federal (STF). Na próxima semana, a Segunda Turma da Corte decidirá se mantém a prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.
Ele é suspeito de ter facilitado a tentativa de compra do Master pelo banco público, uma transação de R$ 12 bilhões que acabou barrada pelo Banco Central em setembro de 2025 por suspeita de fraude. O relator do caso, ministro André Mendonça, afirma existirem “fortes indícios” de que o ex-presidente agiu a mando de Vorcaro.
Triangulação financeira e propina em imóveis
A investigação da Polícia Federal detalha uma complexa engenharia financeira criada para capitalizar o Banco Master antes de sua transferência para o BRB. O esquema envolvia uma “triangulação” por meio de fundos de investimento administrados pela Reag — empresa que foi proibida de operar pelo Banco Central neste ano devido a violações graves.
Em um dos episódios identificados, o Master emprestou R$ 460 milhões a uma consultoria que, em apenas 48 horas, pulverizou o dinheiro em cinco fundos diferentes antes de os recursos retornarem ao próprio Master para a compra de CDBs. O objetivo, segundo os investigadores, era dificultar o rastreio do dinheiro e simular uma saúde financeira que a instituição não possuía.
Em troca do apoio na gestão do BRB, Paulo Henrique Costa teria recebido cerca de R$ 150 milhões em propinas. Os valores não teriam sido entregues em espécie, mas sim convertidos em apartamentos de luxo de alto padrão em áreas nobres de São Paulo e Brasília, registrados em nome de empresas de fachada ligadas a Vorcaro.
Mensagens revelam pressão por aportes
As mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mostram o teor das cobranças feitas pelo banqueiro. Em setembro de 2024, ele escreveu ao então sócio, Augusto Lima, questionando sobre o andamento dos repasses do banco estatal: “Tem notícia do BRB? Se não vier, vou ter de devolver a grana de sexta e vamos usar compulsório hoje”. A menção ao “compulsório” — reserva obrigatória que os bancos devem manter no Banco Central para garantir a estabilidade do sistema — indica, segundo a PF, o nível crítico de liquidez enfrentado pelo Master.
A defesa de Paulo Henrique Costa busca converter a prisão em domiciliar, alegando ausência de riscos à investigação. Já a defesa de Augusto Lima afirmou que não reconhece as mensagens atribuídas a ele. Os advogados de Daniel Vorcaro foram procurados, mas não se manifestaram sobre o conteúdo das novas revelações da Polícia Federal.


