Por que algumas pessoas se tornam dependentes de drogas e outras não?

Por que algumas pessoas se tornam dependentes de drogas e outras não?

Paraíba Policial
Joaquim
27 de dezembro de 2023
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O conhecimento humano pela ciência ainda não permite saber, de antemão, quem entre os usuários de drogas se tornará dependente destas substâncias ou não. O que podemos dizer é que alguns estudos já não tão recentes, afirmam que, cerca de 10% a 15% (dez a quinze por cento), dos seres humanos, nascem com a predisposição genética a se tornarem dependentes de uma ou várias substâncias psicoativas. Portanto, segundo esta corrente de estudiosos, a grande maioria das pessoas, ou seja, cerca de 85% (oitenta e cinco por cento) destas, não nascem predispostas à dependência química.

Desta forma, é possível fazermos uma comparação com a diabetes, onde apenas alguns portadores deste mal podem já nascer com pré-disposição genética, mas a maioria adquire a doença por maus hábitos alimentares, ociosidade etc.  Da mesma forma, segundo os dados estatísticos já citados, apenas um pequeno percentual dos seres humanos poderá nascer com predisposição à dependência química. Contudo, a grande maioria dos dependentes de drogas, adquiriram esta doença pelo uso continuado e abusivo destas substâncias.

Outro aspecto importante que tem sido bastante discutido e pesquisado pelos cientistas, que poderá ter relação com a dependência química, é que algumas pessoas parecem apresentar uma deficiência no funcionamento de alguns neurotransmissores, especialmente àqueles responsáveis pelas sensações de prazer e satisfação, e assim sendo, ou seja, por esta dificuldade em sentir prazer, estes indivíduos podem procurar nas drogas uma alternativa na busca de satisfação, prazer, ou até mesmo um alívio para os momentos e situações desagradáveis da vida.

Também é importante lembrar que já está cientificamente comprovado que, aquelas pessoas que iniciam o consumo de drogas antes dos quinze anos de idade têm uma probabilidade de quatro a cinco vezes maior a se tornarem dependentes destas substâncias, pois, o uso precoce e continuado de drogas é um dos fatores de risco mais importantes em relação à dependência química. Isso acontece principalmente, porque até os 18 anos de idade, em média, a personalidade e a maturidade emocional, psicológica e física dos seres humanos ainda não estão totalmente desenvolvidas.

É preciso admitirmos ainda, que normalmente o consumo de drogas pode provocar em alguns usuários, mesmo que momentaneamente, sensações agradáveis, como: prazer, desinibição, socialização, encorajamento para certas ações ou decisões etc, e desta forma, muitos indivíduos, em especial àqueles mais tímidos ou que por algum outro motivo têm dificuldade em se relacionar socialmente podem procurar nestas substâncias uma compensação para estas “deficiências. Tornando-se consumidores assíduos, o que poderá leva-los à dependência.

Assim, é importante e necessário, que pais e educadores em geral, se esforcem para oferecer aos seus filhos, educandos e jovens em geral que se encontram de alguma forma sob suas responsabilidades, fontes alternativas e saudáveis de socialização e prazer. Dentre estas podemos citar: atividades esportivas, artísticas, estímulo a leitura, participação em grupos de voluntários para ajudar outras pessoas etc. Pois, o direcionamento destes jovens para atividades que sejam prazerosas para estes, mas também saudáveis, pode ajudá-los no preenchimento de necessidades naturais destes adolescentes, como o pertencimento ao grupo, a autoconfiança, o gasto de energia de forma prazerosa e saudável etc, direcionando-os para uma maturidade adequada sem a necessidade de recorrerem a métodos e comportamentos nocivos como o uso indevido de drogas.

Devo admitir que não existe uma fórmula pronta e infalível de educação, na qual as famílias possam se embasar e aplicar com a segurança que seus filhos nunca irão se envolver com a prática de comportamentos antissociais e/ou o uso indevido de drogas, e até mesmo cheguem à dependência. Mas podemos afirmar com certeza que, uma família bem estruturada, em que haja respeito mútuo, diálogo, amor e limites é sempre um porto bem mais seguro para a prevenção destes dissabores.

Como dito no início deste nosso escrito, a Ciência ainda não tem como identificar e separar com segurança àqueles organismos que são imunes a dependência química, e que serão sempre consumidores ditos sociais, daqueles vulneráveis a esta doença. E assim sendo, como bem reza a sabedoria popular: “Prevenir é melhor que remediar”. Não começar a usar a droga é mais fácil que parar, após estar envolvido com tal consumo.

Há tantos anos lidando com esta temática e consequentemente com usuários e dependentes químicos, nunca ouvi nenhum deles afirmar que usou a droga com a intenção de ser “viciado”. Em geral, tal consumo começou de forma recreativa, por curiosidade, rebeldia e influência dos “amigos”; e com a continuidade de tal comportamento, tais consumidores foram traídos pelo próprio organismo que os deixou dependentes.

A dependência química é uma doença grave que se instala no organismo de muitos usuários de drogas, de forma “sorrateira” e progressiva. Mas, assim como o câncer, se tratada logo nos primeiros sinais da doença as chances de sucesso são grandes, contudo, se deixarmos chegar a “metástase” (doença já totalmente instalada), tudo ficará bem mais difícil. Portanto, devemos estar sempre vigilantes conosco e com nossos entes queridos, pois a “traição” vem do nosso próprio organismo.

Educador Físico,  Psicólogo e Advogado. Especialista em Criminologia e Psicologia Criminal Investigativa. Agente Especial da Polícia Federal Brasileira (aposentado). Sócio da ABEAD – Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas e do IBRASJUS – Instituto Brasileiro de Justiça e Cidadania. É ex-presidente da Comissão de Políticas de Segurança e Drogas da OAB/PB, e do Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas do município de João Pessoa/PB. Também coordenou por vários anos no estado da Paraiba, o programa educativo “Maçonaria a favor da Vida”. É ex-colunista da rádio CBN João Pessoa e autor dos livros: Drogas- Família e Escola, a Informação como Prevenção; Drogas- Problema Meu e Seu e Drogas – onde e como lidar com o problema?. Já proferiu centenas de conferências e cursos, e publicou dezenas de artigos em revistas e livros especializados sobre os temas já citados.

 

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

Joaquim Franklin

Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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