Uma organização criminosa foi alvo de investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro sob a suspeita de desviar o patrimônio milionário de um empresário de 78 anos, que sofria de um câncer em estágio terminal. Policiais da Delegacia de Defraudações cumpriram mandados de busca e apreensão contra os integrantes do grupo em diferentes pontos da capital fluminense, incluindo o centro da cidade e bairros localizados nas zonas Norte e Oeste. Dois policiais militares constam entre os investigados pela participação no esquema de fraude.
De acordo com as apurações, os suspeitos se aproveitaram do estado de saúde debilitado da vítima para assumir o controle de empresas que acumulam valores milionários em dívidas com o governo. A Polícia Civil afirma que as modificações no quadro de sócios do negócio permitem que os membros da organização criminosa assumam o controle das ações e realizem a movimentação de recursos financeiros da empresa.
Transferências milionárias e testamento suspeito
As investigações também revelaram que, poucos dias antes da morte do empresário, ocorreu uma transferência considerada criminosa de parte de um montante que a vítima tem a receber por determinação da Justiça. O valor total do crédito judicial é de aproximadamente R$ 38,5 milhões e os recursos são repassados diretamente para escritórios de advocacia.
Outro ponto que concentrou as atenções das autoridades é um testamento registrado cerca de duas horas antes do falecimento do idoso. O documento beneficia uma das mulheres investigadas no caso, nomeada como pessoa de confiança para administrar todos os bens, direitos e obrigações deixados pela vítima, além de figurar como a própria beneficiária do patrimônio.
A Polícia Civil descobriu ainda que, sete dias após a morte do empresário, mais de R$ 1,1 milhão foram depositados de forma direta na conta bancária de um dos alvos da operação.
Envolvimento de agentes públicos e andamento das buscas
Entre os suspeitos que sofreram as ações de busca e apreensão está um policial militar lotado no 15º Batalhão de Polícia Militar (BPM), sediado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Uma advogada, apontada pelas investigações como o principal alvo da operação, também se encontra sob apuração em outros estados da federação pela prática do mesmo modelo de crime.

