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Brasil tem recorde de denúncias de violência contra animais

Brasil tem recorde de denúncias de violência contra animais

A comoção nacional em torno da causa animal ganhou força nos últimos dias após o caso do Cão Orelha, que foi agredido e morto por um grupo de adolescentes na Praia Brava, em Florianópolis (SC), no início de janeiro. Durante a semana, inúmeras denúncias de violência contra cães, principalmente, em várias regiões do Brasil também ganharam repercussão nacional.

Em Ponta Grossa (PR), um cão comunitário chamado Abacate foi baleado e morreu após passar por cirurgia. Em Campo Bom (RS), um cão comunitário chamado Negão, sobrevivente das enchentes de 2024, foi baleado por um policial. Em São Paulo, um militar atirou sete vezes contra um cachorro e no litoral, um a cadela Caramela Neguinha foi esfaqueada.

Os casos expõem um problema ainda mais grave, que envolve saúde pública, descaso social e a falta de estrutura dos órgãos públicos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem no Brasil cerca de 30 milhões de animais (20 milhões de cães e 10 milhões de gatos) abandonados. O Instituto Pet Brasil acrescenta, ainda, que são em torno de 4,8 milhões de animais em situação de vulnerabilidade. Este grupo considera animais que vivem sob a tutela de famílias abaixo da linha da pobreza ou que vivem nas ruas, mas recebem algum cuidado de cuidadores. São os chamados animais comunitários, como Orelha, Abacate, Negão e Neguinha. 

O Instituto Pet Brasil (IPB) aponta que existem no país cerca de 400 ongs formalizadas e elas abrigam em torno de 201 mil animais, um número bastante distante do número estimado de animais que perambulam pelas ruas. E pior: animais não castrados, no caso de cães e gatos, podem gerar, em um ano, em média 12 filhotes e 14 filhotes por ano, respectivamente. Como não existe um órgão oficial com dados oficiais sobre o setor no Brasil, os números são apresentados por estimativas. Há uma projeção de que a rede pública, com os castramóveis e os centros de controle de zoonoses (CCZs) realizem em torno de 500 mil castrações por ano, enquanto as Ongs, 200 mil procedimentos.

13 denúncias por dia

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), as denúncias de violência contra animais aumentaram significativamente no Brasil nos últimos anos e atualmente, a média é de 13 denúncias por dia. Em 2025, foram cerca de 5 mil ações na justiça, um aumento de 20% em relação ao ano anterior, e 1.900% em relação ao ano de 2020, quando 245 denúncias foram feitas.

Rio Grande do Sul, segundo o CNJ, é o estado que lidera casos de denúncias, com 965 casos e Santa Catarina, o segundo estado com 495 registros. Os estados do Paraná e São Paulo, surgem com números até superiores no ranking, 1.957 e 3.900, respectivamente, no entanto, nessas regiões, os casos de maus-tratos e crimes contra a fauna são compilados na mesma lista e, neste caso, o tráfico de animais silvestres, pesca e caça e até poluição de rios são computados no mesmo grupo, mascarando dados concretos em relação à violência contra cães e gatos.


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Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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