A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) lançou novas diretrizes para a prescrição e o uso do Zolpidem, o medicamento mais popular no Brasil para o tratamento da insônia. O alerta surge devido ao uso indevido e à dependência que o remédio tem provocado.
O Zolpidem é um medicamento de tarja preta, o que exige venda com receita especial, mas o comércio irregular e o uso em excesso têm acendido um sinal de alerta entre os médicos. O psiquiatra Arthur (sobrenome não citado no trecho) explica que o medicamento deve ser tomado por pouco tempo, no máximo quatro semanas, e é crucial que o paciente saiba sobre o processo de desmame.
A situação atingiu a ex-bancária Carol Andrade, de 25 anos. Ela tem problemas de sono desde os 17 anos e teve sua situação agravada após perder o emprego no ano passado. Um psiquiatra prescreveu o Zolpidem, mas ela, por conta própria, começou a aumentar a dose. O uso em excesso a deixou mais ansiosa e resultou em acidentes, como uma queda ao descer escadas.
Principais diretrizes para o uso do Zolpidem
O novo documento da ABN foi elaborado por 15 especialistas de diversas universidades e tem como foco principal o controle do uso indiscriminado e a prevenção da dependência.
As novas normas definem:
- Alerta Máximo para a Dependência: O documento deixa claro que o uso prolongado é um fator de risco para o desenvolvimento de tolerância e dependência do medicamento.
- Uso de Curta Duração: O Zolpidem deve ser indicado estritamente para o tratamento de curto prazo, com duração máxima de quatro semanas.
- Reforço no Controle de Receita: Para controle, a diretriz reforça que toda receita deve conter a data de emissão, uma vez que o documento tem validade de 30 dias.
- Protocolo de Desmame: Para pacientes que já desenvolveram dependência, a norma estabelece que o uso deve ser suspenso de forma gradual por profissionais de saúde.
- Terapia de Primeira Linha: A diretriz reforça que a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) deve ser o tratamento de primeira linha, por ser mais eficaz a longo prazo, pois trata as causas da insônia e não apenas os sintomas. O Zolpidem deve ser visto apenas como um coadjuvante temporário.


