Maior centro de tortura da ditadura argentina entra na lista de Patrimônio Mundial da Unesco

Maior centro de tortura da ditadura argentina entra na lista de Patrimônio Mundial da Unesco

Mundo
Joaquim
20 de setembro de 2023
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O Comitê de Patrimônio da Unesco declarou nesta terça-feira, 19, o museu da antiga Escola de Mecânica da Armada (Esma), em Buenos Aires, como Patrimônio Mundial da Humanidade. No prédio funcionou o maior centro clandestino de detenção durante a última ditadura argentina, que foi de 1976 a 1983. A inscrição da Esma nesta seleta lista não teve resistências e contou com apoio de países participantes da sessão, como o Japão, que destacou o sentimento de solidariedade que surgiu especialmente na América Latina; a Bélgica, que considerou que essa inclusão abre um precedente para locais com simbolismo semelhante; e o México, que definiu escolha como um ato de justiça para todas as famílias “vítimas do terrorismo de Estado”.

Após os discursos e o anúncio definitivo da declaração da Esma como parte do Patrimônio Mundial da Humanidade, os representantes da delegação argentina disseram, entre lágrimas, que era “uma honra transmitir este momento histórico”, e deram lugar às declarações gravadas do presidente do país, Alberto Fernández. “Durante a ditadura, na antiga Esma, em Buenos Aires, o governo militar praticou torturas do horror. Havia detidos, exilados, muitos desaparecidos,….

Ainda estamos procurando os restos mortais”, disse. O presidente argentino explicou que esse “terrorismo de Estado ensinou os horrores ao povo” e destacou a figura das mulheres, avós, mães, esposas em busca de filhos, netos e maridos nesse “capítulo negro” da história do país, que agora comemora 40 anos de democracia. “Essas mulheres nunca buscaram vingança, mas exigiram justiça, verdade e reparação, e é isso que buscamos”, disse Fernández, em referência ao simbolismo que a Esma adquire com sua inclusão na Lista do Patrimônio Mundial da Humanidade.

Entre 1976 e 1983, as instalações da Esma foi o epicentro de um esquema repressivo. No local funcionava o Centro Clandestino de Detenção, Tortura e Extermínio. “Aqui, a Marinha sequestrou, torturou e fez desaparecer mais de 5 mil homens e mulheres. As graves violações dos direitos humanos, o plano sistemático de roubo de crianças nascidas em cativeiro e o extermínio de prisioneiros que eram lançados vivos ao mar durante os chamados voos da morte, fazem deste edifício um símbolo do genocídio ocorrido no país”, segundo a descrição no site da Unesco.

Essa é a primeira de três indicações de locais de memória ligados a conflitos recentes a serem aprovados este ano. Até agora, o campo de Auschwitz-Birkenau e o Memorial da Paz de Hiroshima foram os dois únicos locais do século passado a serem inscritos na lista.

 

 

Jovem Pan

Joaquim Franklin

Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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